TABLET OU LIVRO? por clara clastilho

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Voltemos aos tablets. Já aqui falámos sobre a sua polémica utilização por bebés. E voltamos a falar sobre o assunto.

Quem já não assistiu a cenas em que, para calar as crianças, alguém lhes mete na mão um telemóvel para jogar ou um tablet? Acabam-se as discussões, ficam quietinhos que nem ratos, e os adultos seguem com as suas conversações, refeições, etc.

Um dos possíveis malefícios poderá ser no futuro menos desenvolvimento de certas capacidades de comunicação, e também de menor imaginação. E isto porque ao utilizar muito tempo estas tecnologias, as pessoas a gastam menos tempo em interacção umas com as outras.

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Outra questão é a de saber se esta nova tecnologia fará mal aos olhos?. Nos tablets pode-se regular o tamanho da letra e este deve estar a 30 cm de distância, a direcção do olhar deve ser de cima para baixo, para que se possa levantar e olhar para a distância, deve haver contraste na iluminação, com a geral ténue.

Mas também sabemos que não é o mesmo ler em papel – jornal ou livro -, num computador, smarphone ou tablet

Lembramos que vários estudos mostram que as crianças não aprendem nada de substancial (como uma língua) a partir dos ecrãs – seja de televisão, tablets ou computadores – antes dos 30 meses de idade. Por exemplo, um estudo de 2004 publicado na revista científica Pediatrics mostrou que as crianças com idades entre um e três anos expostas à televisão tinham tempos de atenção mais reduzidos até aos sete anos… Noutro artigo,  Allison Mistrett, fundadora e directora da Leaps and Bound, um centro de terapia ocupacional pediátrica, diz que já viu crianças a tornarem-se peritas no jogo “Onde está o Wally” num iPad, mas não conseguirem encontrar os sapatos numa sala desarrumada…Esta é uma boa razão para mim!

O Fundo Nacional de Alfabetização e Estudo, do Reino Unido, após investigação, considera que a leitura «virtual» pode ser «prejudicial» para os jovens, que as crianças britânicas já leem mais em computadores e noutros aparelhos eletrónicos do que livros, revistas, jornais e banda-desenhada. O estudo abordou nada menos do que cerca de 35 mil jovens, entre os 8 e os 16 anos. E 52 por cento disse que prefere ler em dispositivos eletrónicos e apenas 32 por cento prefere o papel.

Outro dado interessante é o que aponta para o facto de os leitores em papel foram aqueles que manejaram livros na infância. Também se percebeu que o sexo feminino lê tanto em papel como noutro suporte.

Sabemos que a tecnologia pode reverter-se em novas oportunidades de leitura para os jovens, mas nada nos diz que será melhor. No Reino Unidos quase todos os jovens tinham computador em casa e quatro em cada 10 tinham um tablet ou smartphone. O que não será a situação em Portugal…

Pelo sim, pelo não, eu cá vou aumentando as bibliotecas das crianças que conheço!

 

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