Seleção e tradução de Francisco Tavares
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Israel aumenta a escalada no Líbano, os EUA atacam alvos iranianos
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em 26 de Maio de 2026 (original aqui)
A paz no Líbano é uma exigência incontornável dos iranianos para pôr fim ao conflito com Washington. É claro que esperar que Israel deponha o machado de guerra é uma utopia, nem os iranianos são assim tão ingénuos.
O anúncio feito por Trump de um acordo com Teerão parece (parece) ter durado tanto como um gato na auto-estrada. Israel está literalmente a bombardeá-lo. Tal é o objectivo da decisão de Netanyahu de intensificar a campanha contra o Líbano, que, segundo o chefe do estado-maior israelita, deveria incluir novos bombardeamentos em Beirute (com a habitual continuação de horrores ameaçado pelo habitual Bezalel Smotrich [n.t ministro das Finanças e líder do partido Sionista Religioso de extrema-direita]: por cada drone lançado pelo Hezbollah, Israel deve destruir dez edifícios em Beirute, etc…).
A paz no Líbano é uma exigência incontornável dos iranianos para pôr fim ao conflito com Washington. É claro que esperar que Israel deponha o machado de guerra é uma utopia, nem os iranianos são assim tão ingénuos. E, no entanto, havia a possibilidade de inserir no acordo EUA-Irão uma fórmula vaga que de alguma forma satisfizesse essa exigência.
O aumento ordenado por Netanyahu, se não for travado, eliminará qualquer possibilidade nesse sentido. Porque também viola o que foi provisoriamente acordado no cessar-fogo anterior, uma vez que Trump havia prometido a Teerão, e obtido de Tel Aviv, que Beirute seria poupada às bombas, com a operação militar israelita limitada apenas ao sul do Líbano.
Ontem, então, o ataque das forças armadas americanas contra alguns barcos iranianos no Estreito de Ormuz e posições de mísseis localizadas perto de Bandar Abbas. O CENTCOM comunicou que se tratou de uma operação defensiva, mas é óbvio que não foi: quer desencadear uma reacção de Teerão, que reiterou várias vezes que, se atacada, não permaneceria inerte; ou, em alternativa, a agressão serviu para aumentar a desconfiança dos iranianos em relação aos Estados Unidos, de modo a convencê-los da futilidade das negociações e, assim, reiniciar as hostilidades.
Mas o golpe de genialidade de Netanyahu e seus capangas foi o relacionado com os Acordos de Abraão, sábado passado, quando Trump convocou uma conferência em linha de estados árabes para comunicar-lhes os passos para a paz com o Irão. “Ele disse aos líderes [reunidos] que, após a guerra com o Irão, ele espera que todos aqueles que ainda não aderiram aos Acordos de Abraão ou não têm acordos de paz com Israel se unam e normalizem as relações com o Estado Judeu”.
No relato feito por Axios entende-se que foi uma solicitação lançada de ânimo leve, a reiteração de um pedido já expresso no passado e que serviu para dar alguma satisfação a Netanyahu, furioso com o possível acordo com Teerão. Ligeireza também destacada pelo relato: as palavras do presidente foram seguidas por um longo “silêncio do outro lado da linha, com Trump brincando perguntando se eles ainda estavam em linha”.
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O embaraço dos países árabes, em primeiro lugar da Arábia Saudita, a quem o convite foi dirigido, era motivado pela impossibilidade de fazer o que era solicitado. Com efeito, Riade e outros países árabes declararam sempre que a adesão aos Acordos de Abraão só pode ser considerada se for precedida de um caminho claro para o nascimento de um Estado Palestiniano. Pode-se imaginar: como poderia isso acontecer com o genocídio palestiniano em curso.
Depois, a controvérsia sobre os acordos de Abraão teve desenvolvimentos. O belicista Senador Lindse Graham, que no sábado havia criticado o acordo com Teerão, na verdade criticando Trump, no domingo mudou de ideia e num post no X escreveu que o movimento do presidente foi “brilhante”: para a Arábia Saudita e outros países árabes, o senador acrescentava: “chegou a hora de ousar pelo futuro de um novo Médio Oriente. Espero, como sugeriu o presidente Trump, que adiram aos Acordos de Abraão, acabando efectivamente com o conflito árabe-israelita. Se se recusarem a seguir esse caminho, como o presidente Trump sugeriu, isso teria sérias repercussões no nosso relacionamento futuro e tornaria esta proposta de paz inaceitável”.
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Como se pode ver, o convite para aderir aos Acordos de Abraão, a realizar-se uma vez alcançada a paz com o Irão, segundo o que diz Graham tornou-se muito atual e parte integrante do acordo com Teerão, de outro modo impossível.
Evidentemente pressionado, no dia seguinte, Trump, em Truth Social, descrevendo a reunião com os países árabes no último sábado, usou um registo semelhante: “deveria ser obrigatório que todos estes países [árabes], no mínimo, assinassem simultaneamente os acordos de Abraão […] Por conseguinte, exijo categoricamente que todos os países assinem imediatamente os acordos de Abraão”.
Em suma, um truque brilhante para sabotar as negociações. Uma sabotagem à qual Trump emprestou a sua caneta e, talvez, até mesmo a mente. Escrevemos “talvez” porque num outro post publicado no Truth Social, também ontem, Trump comunicou que o urânio enriquecido actualmente à disponibilidade de Teerão, um dos focos das negociações juntamente com o destino do Estreito de Ormuz, terá de ser entregue aos Estados Unidos, como solicitado várias vezes,” ou, de preferência, em colaboração e coordenação com a República Islâmica do Irão, destruído no local ou noutro local aceitável, com a Comissão de Energia Atómica, ou o seu equivalente, presente como testemunha deste processo”.
É a primeira vez que Trump se abre para a segunda opção, que ele realmente diz que “prefere”. O Irão poderia facilmente aceitar o pedido. Além disso, de acordo com vários meios de comunicação, o Irão está a considerar a ideia de entregar urânio à China… Contradições insanáveis as de Trump, limitamo-nos a tê-las em conta cruzando os dedos.
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O autor: Davide Malacaria, jornalista italiano e blogger, escreveu no católico “30giorni” e dirige o sítio Piccole Note de que é fundador. “Trabalhava numa revista, mas já não trabalho. Mas a vontade de olhar para os jornais continuou a ser a de captar lampejos de inteligência e de conforto sobre os assuntos do mundo e da Igreja. E de as comunicar aos outros. Daí a ideia deste pequeno sítio. Uma coisa pobre, sem pretensões, que espero que seja de alguma utilidade para aqueles que partilharem estas páginas comigo. Com o passar do tempo, Piccole Note enriqueceu-se com colaborações queridas. Não como resultado de uma procura laboriosa, mas através de uma feliz acumulação espontânea. Uma riqueza para o sítio, mas muito mais para os nossos pobres corações.” Piccole Note está ligado por afinidades eletivas ao InsideOver.






