POESIA AO AMANHECER – 251 – por Manuel Simões

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ORLANDO DA COSTA

( 1929 – 2006 )

“HOJE AVULTA O TUMULTO”

Hoje avulta o tumulto

rumor de orgasmo

entre pedra e musgo

Água corrente

sol poente e decadente

hoje terá sido dia de revolta

enquanto davas a meia-volta

olhos no céu pestanejar na areia

enquanto a sombra nos confundia

com a maré cheia

Depois da espuma a concha

depois da rocha a falésia

depois só a voz que se escuta

em tardes de tréguas

em noites de luta

Restam-nos agora léguas de terra

até chegarmos à lua feia

Silencioso espasmo

entre pedra e musgo

hoje avulta o tumulto.

(de “Canto Civil”)

Viveu em Goa até aos 18 anos. Mais conhecido como romancista, também deixou uma óbra poética digna de menção: “A Estrada e a Voz” (1951), “Os Olhos sem Fronteira” (1953), “Sete Odes do Canto Comum” (1955), “O Coração e o Tempo” (1979). A sua poesia reuniu-se depois em “Canto Civil” (1979).

Poemas. Antologia.1961-2009” (2012).

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