EDITORIAL – DETROIT, UM CENÁRIO FUTURISTA?

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Parece que o segundo maior banco alemão, o Commerzbank, está periclitante. Uma das razões dessa situação de risco é a falência da cidade de Detroit. Não se admirem, isto é a globalização. Um banco alemão e uma cidade norte-americana, que melhores símbolos se poderia invocar para representar uma sociedade moderna naqueles filmes promocionais que chegaram a estar em voga passar nos cinemas e na televisão, quando nos queriam convencer que tudo ia bem, que havia progresso por todo o lado, toca a consumir. Pois, pois, Detroit, que chegou  a ser a capital mundial do automóvel faliu, e o Commerzbank ameaça ir atrás. Obviamente que a Alemanha vai contar connosco para a ajudarmos a aguentar a pancada. Entretanto, vejam:

http://www.esquerda.net/artigo/fal%C3%AAncia-de-detroit-golpeia-duramente-o-segundo-banco-da-alemanha/28824

No mundo moderno vive-se cada vez mais nas cidades. Entretanto estas vão crescendo da mesma maneira que a economia e a sociedade em geral, sob o consumismo, dantes, e agora sob o neoliberalismo: endividando-se e degradando-se. O caso do banco alemão não é único: no artigo acima “linkado”, refere-se a falência do Jefferson County , no Alabama, 2011. Podemos acrescentar o caso do banco franco-belga Dexia, que teve de ser nacionalizado por três estados, a Bélgica, a França e o Luxemburgo, também em 2011. Entre os seus credores contavam-se autarquias e outros serviços públicos, que acabaram por ser incapazes de pagar os seus compromissos. Vejam:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/02/11/emprestimos-toxicos-seine-saint-denis-alcancou-uma-vitoria-contra-o-banco-dexia/

O problema não é obviamente se os americanos são mais descomplexados em relação às falências, ou se os europeus mais adeptos dos serviços públicos. Isso não resolve as situações. Os serviços públicos existem para prestar serviços, não para gerar lucros. Senão, não se justificava a sua existência. Nas políticas subjacentes é que está o problema. Porque é que os serviços se vão financiar aos bancos? E a bancos privados, que têm como objectivo o lucro? E como é que nos seus financiamentos aparecem os famosos produtos derivados, que ajudaram poderosamente a fazer aparecer a crise? Onde devia haver segurança, predominou a especulação.

Estes problemas coexistem com outros, obviamente. Olhando para as cidades, para as cidades portuguesas, pensando que daqui a dois meses vão haver eleições autárquicas, também aqui há interrogações que deveriam ser postas: quais são e como são os planos estratégicos dos concelhos e freguesias, qual é a preparação dos candidatos a autarcas, e quais são realmente as necessidade e prioridades a estabelecer? Para além de uma participação mais intensa e efectiva, é necessário promover o rigor e a transparência, a complementar a capacidade técnica. E fazer opções essenciais, como separar a vida em comum, base da realização individual e social, das aventuras de teóricos e especuladores.

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