POESIA AO AMANHECER – 256 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

E.M. DE MELO E CASTRO

( 1932 )

ÁGUA POSSÍVEL CORPO

sangue tempo de loucas correrias

jardins fechados que teus membros abrem

vértice fumo rubro

na ponta dos meus dedos

o presente mais novo

à luz do dia

tempo sangue de mortes

combustão sideral

nos mais contidos laços

peixe de olhos abertos

oxigénio de passos

nos lábios triturados

amor pronunciado com clareza

sabor de mosto fresco

na boca dos sentidos

sobressalto de sedes

relâmpago de sons

(de “Queda Livre”)

Foi um dos principais teorizadores da poesia experimental. Co-organizou a “Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa”. Co-organizador de “Poesia Experimental” (1965) e da “Antologia da Poesia Concreta em Portugal” (1973). Entre os seus muitos textos de poesia assinalam-se: “Sismo” (1952), “Entre o Som e o Sul” (1960), “Queda Livre” (1961), “Ideogramas” (1962), “Versus-in-versus” (1968), “Caralhamas” (1978), “As Palavras só-lidas” (1979).

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