EDITORIAL: ELEIÇÕES À VISTA!

Imagem2Com as eleições autárquicas a realizarem-se já no dia 29 do próximo mês, agitam-se as hostes partidárias e registam-se alguns movimentos difíceis de compreender na lógica de cada partido se não levarmos em linha de conta estratégias e ambições pessoais, quando não mesmo ajuste de contas. Os comentadores televisivos, recrutados entre figuras mediáticas da classe política, poderão ajudar os canais em que actuam na subida de audiências, mas, de uma forma geral, não contribuem minimamente para esclarecer os telespectadores. Mais do que esclarecer, estando ao serviço de interesses vários, procuram levar a água aos moinhos de quem lhes paga ou, como também por vezes acontece, ao seu próprio moinho.

 Marcelo Rebelo de Sousa é um comentador arguto, mas em cuja objectividade não se deve confiar. Não porque não possua capacidade de análise, mas porque as conclusões a que chega têm que se lhes diga. Com frequência,  Marcelo usa a sua intervenção dominical, à boa maneira das homilias dos párocos de aldeia, para ajustar contas com adversários externos ou internos.

Terá sido o caso de ontem ao criticar a escolha de Joaquim Pais Jorge como secretário de Estado do Tesouro e disse mesmo que «a ministra acabou de sair de uma para se meter noutra». Na sua opinião, o governo e o PSD cometeram «um erro de palmatória» na gestão deste problema. «Dispararam logo contra o PS»,(…) «sem pensarem que poderia haver sociais-democratas envolvidos neste problema». (…) «Acabou por cair no PSD» (…) «Dois [secretários de Estado] foram para a rua, um está com problemas e a ministra também saiu fragilizada». E lembrou o comportamento de Joaquim Pais Jorge no briefing do Governo, concluindo que ninguém confiará muito na sua capacidade para lidar com os dossiês mais complexos. E referindo-se à questão dos swaps rematou «Lá fica a ministra que acabou de sair de uma, para se meter noutra». O que é verdade, mesmo que tenha sido dito por quem se preocupa pouco com a verdade. Só Cavaco Silva persiste em não se dissociar deste executivo que mete água por todos os lados e cujo afundamento só a obstinação do presidente tem conseguido evitar. A intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, juntando a sua voz ao coro dos que apontam as fragilidades de uma equipa desastrada e desastrosa, é sintomática de que esta gente segura o poder por um fio muito ténue. As eleições autárquicas, embora não ponham directamente em causa o Governo, poderão ser a tesoura que corta esse fio.

 

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