PROFESSORES DE PORTUGUêS EM ESPANHA SUBSTITUíDOS POR DOCENTES ESPANHÓIS – por Carlos Luna

O Sindicato dos Professores das Comunidades Lusíadas (SPCL) denunciou nesta segunda-feira que cerca de 700 alunos de Olivença, em Espanha, deixarão de ter aulas de Português devido à dispensa de cinco professores portugueses em território espanhol. Segundo a secretária-geral do SPCL, Maria Teresa Soares, estão em causa alunos do 1.º ao 6.º ano de escolaridade, sendo que “mais de metade são luso-descendentes”.

De acordo com a secretária-geral do SPCL, estes 700 alunos juntar-se-ão ao “largo contingente de luso-descendentes que, no próximo ano lectivo”, verão “negado o seu direito constitucional às aulas de língua e cultura de origem”, lê-se num comunicado do sindicato agora divulgado.

A decisão de dispensar os cinco professores que leccionavam os cursos de Língua e Cultura Portuguesa em Espanha resulta, de acordo com Mário Filipe, do Instituto Camões, que tutela a colocação destes docentes no estrangeiro, da reorganização da rede escolar espanhola, que “obedece às necessidades identificadas pelas autonomias” e que determinou que não haveria lugar à renovação de contrato dos professores, cujas comissões de serviço cessaram no final deste ano lectivo.

Ao contrário do que vem sucedendo até hoje, em que os professores têm concorrido todos os anos ao Ensino de Português no Estrangeiro (EPE), a partir deste ano lectivo será permitido renovar a comissão de serviço por mais um ano. Tal não sucedeu a cerca de 20 docentes de EPE nos territórios cooperantes, cuja maioria, de acordo com Mário Filipe, não quis renovar o seu contrato “por vontade própria”. Mas não terá sido esse o caso dos docentes que leccionavam em Espanha, uma vez que a “não renovação da comissão de serviço” dos cinco professores pode resultar directamente das decisões das “autonomias espanholas”.

“É provável que o ensino do Português em Olivença passe a ser assegurado por professores espanhóis”, avança Mário Filipe. E dá o exemplo da região da Andaluzia, “onde não há professores portugueses a dar aulas de Português”, sendo a disciplina garantida por professores espanhóis.

“O EPE em Espanha tem de ser visto de uma maneira diferente em relação aos outros países, porque é regulado por um acordo bilateral”, explicou o responsável do Camões ao PÚBLICO. O que significa que, tal como em Portugal existe o Espanhol nas escolas, como língua estrangeira, assegurado por professores portugueses, em Espanha também existe em muitas escolas do ensino público e privado a disciplina de Português. A diferença é que o ensino do Português em Espanha tem sido assegurado por professores portugueses que são pagos pelo Estado espanhol, enquanto em Portugal o ensino do Espanhol é assegurado por professores portugueses.

Ou seja, em Espanha, 80% dos alunos que têm a disciplina de Português no currículo são espanhóis e apenas 20% são portugueses ou luso-descendentes, ao contrário do que sucede nos outros países onde existe o EPE, em que as actividades lectivas são extracurriculares e dirigidas sobretudo a luso-descendentes. No entanto, Mário Filipe sublinha que o EPE em Espanha vai manter-se no pré-escolar e que o Instituto Camões fará todos os possíveis para apostar no ensino avançado do Português.

MENOS ALUNOS INSCRITOS       Questionado sobre as razões que terão levado a uma redução dos alunos inscritos no EPE, em todos os países cooperantes, o representante do Instituto Camões contrapõe que a diminuição é “muito pequena” e diz duvidar que sejam cerca de 700 os alunos de Olivença que deixarão de ter aulas com professores portugueses. Mário Filipe descarta, ainda, a hipótese de a redução de alunos poder estar relacionada com a propina de 100 euros que passou a ser cobrada aos alunos que queiram aprender Português na Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Andorra, Suíça e Luxemburgo.

De acordo com Maria Teresa Soares, o SPCL realizou nos últimos meses vários pedidos de reunião com o Instituto Camões e com o secretário de Estado das Comunidades, mas “que ficaram sem resposta”. O sindicato fez saber que enviou agora uma queixa ao provedor de Justiça.

Num outro comunicado à imprensa divulgado no passado dia 2, Maria Teresa Soares denunciava ainda o atraso da publicação da rede horária do EPE para o próximo ano lectivo, o que se traduz na indefinição de horários, cargas lectivas e cursos a leccionar pelos professores de Português no estrangeiro. A situação, para o SPCL, agrava-se nos países onde as aulas já começaram no dia 1, caso de alguns estados alemães, ou que começarão dia 11, como sucederá em vários cantões suíços.

Em declarações à agência Lusa, Mário Filipe já tinha garantido que só faltava publicar a rede em /Diário da República/ e que esta já está “definida” e “aprovada”.

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  1. PCP QUESTIONA GOVERNO SOBRE FIM DO ENSINO DE PORTUGUêS EM COLéGIO EM OLIVENçA

    ARTIGO |  SÁB, 03/08/2013 – 14:52  

    O PCP questionou o Governo sobre como irá garantir a continuação do ensino de português em Olivença, depois de o instituto Camões ter acabado com os horários de língua portuguesa num colégio frequentado por 700 crianças. Numa pergunta dirigida ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, o grupo parlamentar comunista relata ter tido conhecimento, esta semana, da decisão do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua de “acabar com os horários de língua e cultura portuguesa, num colégio de Olivença, frequentado por mais de 700 crianças, sendo muitas delas lusodescendentes”. O PCP diz estranhar esta medida, lembrando “a relação existente entre Portugal e Olivença” e que a presidente do Camões, Ana Paula Laborinho, ter referido “a existência de acordos com a autonomia da Extremadura sobre o ensino da língua”. Na pergunta, os comunistas perguntam ao ministro Rui Machete como irá o Governo garantir que continuará a ser ensinada a língua portuguesa naquela cidade. O PCP pede ainda a Rui Machete que confirme que “foram extintos horários de Língua e Cultura Portuguesa em Olivença” e quantos horários foram extintos e quantos professores serão dispensados. “As relações culturais existentes entre aquela cidade e Portugal não foram tidas em conta na tomada de decisão?”, pergunta ainda a bancada do PCP.

    Olivença, historicamente disputada por Portugal e Espanha, está localizada na margem esquerda do rio Guadiana, encontrando-se a 23 quilómetros da cidade portuguesa de Elvas e a 24 quilómetros da espanhola Badajoz.Citando A Viagem dos Argonautas : > > > > carlosloures posted: “O Sindicato dos Professores das Comunidades > Lusíadas (SPCL) denunciou nesta segunda-feira que cerca de 700 > alunos de Olivença, em Espanha, deixarão de ter aulas de Português > devido à dispensa de cinco professores portugueses em território > espanhol. Segund” > > > > > >

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