POESIA AO AMANHECER – 261 – por Manuel Simões

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ANTÓNIO AUGUSTO MENANO

( 1937 )

CARTA A PEPE (fragmento)

Aqui em frente do oceano Atlântico que tanto amavas,

olho o mar da Figueira,

do alto do terraço escrevo-te neste dia de sol frio;

o pássaro azul que também conhecias, privilégio de alguns,

loucura para outros,

acabou de passar por cima de mim, voava no eco

dos ventos, no braço do sol

em que aquecias a caneta

quando cantavas esta terra que tanto amaste.

As ondas, lá em baixo, na brancura das areias,

rasgam castelos de sonho,

vitrais de sangue jovem, brilho de olhares no primeiro amor.

E há uma borboleta, irmã de uma gaivota saída de um quadro de Juliano

que está na parede da tua casa portuguesa, lugar de luz,

o teu eterno encontro com a Pilar, as conversas com os amigos,

em 1967, falavas-me da antologia de poetas brasileiros

de Ángel Crespo e Carriedo

e sonhavas ligar, pela poesia, Coimbra e Salamanca.

(…)

As estradas esquecem-se, por vezes, de ser rectas,

tempos efémeros

de incendiar o tempo, e nós, na Esplanada, a falarmos de poesia.

A “Catedral Vieja”, a “Plaza Mayor”,

o pôr de sol de Buarcos

mares da nossa amizade,

no centro mais íntimo

de onde os insectos fugiram

permanecem invioláveis.

(de “Memória de Luz e Outros Poemas”)

Foi animador dos suplementos de cultura e arte da imprensa regional na década de 60. Viveu largos anos em Macau, facto que se reflecte na sua mais recente poesia. Da sua obra poética salientam-se os títulos: “Metamorfose” (1961), “Poema para a Esperança” (1962), “Memória das Coisas”(1990), “Poemas do Oriente” (1991), “Teoria do Vidro” (2003), “Poemas de Macau” (2007), “Poemas da Roxa Aurora” (2009), “Memória da Luz e Outros

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