A “NOVA ECONOMIA” É UMA ECONOMIA SEM NOVOS EMPREGOS. Por PAUL CRAIG ROBERTS.

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Paul Craig Roberts

Nota de A Viagem dos Argonautas: Este texto desassombrado de Paul Craig Roberts merece bem uma referência especial. O desmascarar de uma das artimanhas mais enganosas da propaganda dos governos, que é a manipulação de estatísticas, é uma prioridade nestes tempos em que os povos têm sido espoliados sob o pretexto de uma crise pré-fabricada, e em que veladamente se pretende acabar (há quem fale abertamente numa suspensão) com a democracia e os direitos individuais, sob a capa do equilíbrio orçamental, tudo para cobrir os desvarios do sistema bancário e defender os privilégios de minorias.
Parte II
(conclusão)

Na sua apresentação  que acompanhou a publicação do  relatório sobre o  emprego,  Erica Groshen,  como  Comissário,  reconhece que actualmente 8.200.000 ou seja 6 por cento dos empregados são  “trabalhadores involuntários a tempo parcial” que não conseguem encontrar emprego a tempo inteiro.

O nível de empregos de acordo com os pagamentos efectuados em  Julho de 2013 foi de 136.038.000  ou seja, um valor inferior em   2.018.000  de empregos ao valor que era o  nível de emprego em Janeiro de 2008, o nível de há  5 anos e 7 meses. Sendo de  130.000 novos postos de trabalho o valor   que se exige por cada mês para se manter o emprego a par com o crescimento da população , a economia  precisaria de ter mais   10,728,000 postos de trabalho do que tem agora. Estes empregos em falta  mostram  que a taxa de participação de força de trabalho está em declínio e que há um grande número de trabalhadores que desistiram de procurar emprego  e agora não estão a ser  contabilizados  como desempregados.

Obviamente, não há nenhuma recuperação económica nos Estados Unidos , apesar dos relatórios e da  imprensa dos mercados financeiros andarem a difundir  o contrário do que  se está a passar. Estará mais próximo da realidade afirmar  que a economia dos EUA está a cair  cada vez mais numa profunda  depressão. Os numerosos indicadores de colapso económico são ignorados pelos economistas e  pelos media financeiros ocupados no trabalho  de tecelagem tipo Matrix para apoiar esta mentira.

Como os antigos dirigentes  dos  bancos “too big to fail” e os seus protegidos estão á frente do Tesouro americano, das agências de regulação financeiras e do Federal Reserve, a política económica dos Estados Unidos tem sido centrada em resgatar os bancos excessivamente grandes que foram criados pela  desregulamentação irracional. O objectivo da política económica dos EUA tem sido o de  salvar os bancos grandes das suas más apostas sobre os muito mal compreendidos novos instrumentos financeiros no jogo de casino criado pela desregulamentação.

Os arquitectos da desregulamentação financeira, tais como o ex-presidente Bill Clinton e o senador Phil Gramm foram recompensados pelos  seus serviço com fortunas pessoais. Os ingénuos crentes no mercado livre  que ajudaram e encorajaram Bill e Phil e que erradamente viram o desaparecimento da estabilidade financeira como um novo começo para o capitalismo do laissez faire, ainda insistem em  que a crise resultou da atitude do  Congresso exigir  que os bancos concedessem  empréstimos hipotecários para negros pobres que não podiam pagar .

A ausência de realismo  na América é enorme. Não acredito que nada assim já se tenha passado  no mundo moderno.  Essencialmente, ninguém no governo ou fora dele percebe alguma coisa do que se está a passar.

A combinação do poder de interesses disfarçados com um pensamento ideológico distante da realidade concreta  está a destruir  a economia dos EUA e as perspectivas económicas do povo americano. O perfil do emprego na economia dos EUA está cada vez mais perto do de um país de terceiro mundo. A segurança económica, excepto para os ricos, desapareceu. Uma grande e crescente percentagem da população americana sente  a insegurança da pobreza ou de estar perto dessa situação, enquanto crescem as listas de espera para a aquisição de iates de US $50 milhões. A distribuição de rendimento  é tão distorcida a favor dos mais ricos  que pessoas de enorme riqueza andam a comprar em leilão os  Ferraris usados desde a década de 1950 e 1960 por  valores que vão desde os  $12.000.000 até aos  $35,000,000. Eu ainda me lembro de quando um  Ferrari usado  era algo que uma pessoa com um rendimento  moderado  poderia ter possibilidades de  comprar. Tenho um amigo que comprou e vendeu por $9.000 um Ferrari na  década de 1960, um  Ferrari que na sua última venda alcançou o valor  de US $35 milhões.

Detroit, outrora  a quarta maior cidade americana e o centro mundial da produção de automóveis no  mundo, é agora uma cidade falida. As populações das cidades que já foram a base da indústria transformadora da América estão em declínio. Cleveland tem a maioria das suas casas com escritos. St. Louis tem 20 por cento das suas casas completamente vazias. A segurança social nos Estados Unidos  está sob ataque cerrado pelos republicanos e até mesmo por alguns democratas, ao mesmo tempo que  a situação da população se agrava e o desespero aumenta.

Washington dá resposta  à meia dúzia dos  grupos de  interesse privados mais poderosos e ricos  que financiam as  campanhas eleitorais. Os americanos não têm  ninguém  que os represente. O povo americano foi  colocado fora do sistema do  “capitalismo democrático”, que é apenas para o um por cento que inclui os mais ricos da  população americana.

Como Jeffrey St. Clair deixou bem claro, a América já não tem uma ala esquerda. A América é um mundo colocado à direita em que as pessoas, incluindo “os progressistas”, têm sido sujeitas a uma lavagem ao cérebro  para perceberem a da realidade no seu  contraste racial: os brancos estão sempre bem e os negros são sempre pobres e indigentes.

Esta é a falsa realidade da  Matrix.  Como os brancos são uma percentagem maior da população do que os negros, existem mais brancos pobres do que negros pobres. Além disso, a percentagem de brancos pobres está a crescer Com a forma como os  empregos   em offshore  estão a resgatar os ricos na  economia dos EUA hoje em dia, todos os outros ficam mais pobres, incluindo os restos de classe média, outrora uma classe social florescente da América. Não se trata aqui de  uma questão racial. Trata-se de uma questão de classes. Algumas poucas  pessoas detêm o poder, e eles estão a atirar   toda a gente ao chão. O governo dos EUA é o seu agente.

Então faça ondular  a bandeira, vá apoiar as nossas tropas, acredite no governo e nas  mentiras   dos media  mas,  a menos que o leitor esteja bem ligados ao  um por cento dos mais ricos, não espere nenhum futuro de jeito para os seus filhos.  Cada um de nós  já foi vendido pelo “nosso  ” governo.  Obama faz discursos bonitos, mas só os estúpidos  se deixarão enganar.

Paul Craig Roberts, The “New Economy” Is The No Jobs Economy, 5 de Agosto de 2013, texto disponível em:

http://www.paulcraigroberts.org/2013/08/05/the-new-economy-is-the-no-jobs-economy-paul-craig-roberts/ 

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Para ler a Parte I deste artigo, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/19/a-nova-economia-e-uma-economia-sem-novos-empregos-por-paul-craig-roberts/

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