EDITORIAL – NÂO SÃO OS NÚMEROS QUE MENTEM

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Todos sabem ser impossível governar sem estatísticas. E que o uso de números é indispensável até para a vida quotidiana. Contudo é frequente ouvir queixas sobre o pouco rigor das estatísticas, tanto das oficiais como das elaboradas por privados. Inclusive, já no século XIX, o estadista britânico Benjamin Disraeli dizia que havia três tipos de mentiras: as mentiras, as grandes mentiras e as estatísticas. Estas seriam portanto as maiores de todas as mentiras.

Ontem e hoje, às 13 horas publicámos aqui em A Viagem dos Argonautas uma análise do norte-americano Paul Craig Roberts, The “New Economy” is The No Jobs Economy, traduzida pelo argonauta Júlio Marques Mota. Craig Roberts chama a atenção para a maneira como são apresentadas os números sobre o emprego nos EUA, procurando fazer crer que a força de trabalho está a crescer, olhando para os números em bruto, sem os confrontar com outros factores, confrontação essa que levaria inevitavelmente à conclusão de que seria necessário, para o crescimento da economia e o bem-estar dos norte-americanos, que aqueles números fossem bastante maiores, e que aumentassem mais em categorias profissionais diversas das que têm adquirido ultimamente o maior peso numérico no conjunto.  Craig Roberts assinala também como os valores sobre a inflação são manipulados, fazendo variar os produtos que são incluídos no cálculo do valor global, assim como os números relativos aos desempregados. Quanto a estes refere que são retirados das listas os que não conseguem encontrar emprego ao fim de um dado tempo. Assim reduz-se o número total. Entretanto continua-se a tentar que a opinião pública aceite a ideia de que a responsabilidade do desemprego é do próprio desempregado.

Cabe aqui referir que, concretamente,, em Portugal também se usa este tipo de processos. Por isso há quem insista em que os valores do desemprego são bastante superiores aos oficialmente admitidos. A desmontagem das estatísticas e das interpretações oficiais é fundamental, também entre nós. E que haja quem as divulgue. Em Portugal e nos EUA, tal como no resto do mundo.

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