Deus tem cócegas? (enigma de Augusto Baptista in azul-canário)
Será por eu ser padre/presbítero que Você me coloca este tipo de perguntas? Não tem mais nada para me perguntar? Alguém, alguma vez, viu Deus? Mas então de que estão as pessoas a falar, quando dizem “Deus”. Deixemos Deus para lá, e ousemos mergulhar na realidade, que é o quotidiano das populações, um verdadeiro inferno, cujos diabos são todos os agentes do Poder, a começar no Papa de Roma, no topo da pirâmide, e a acabar, no que a nós respeita, no Aníbal, chefe de estado de Portugal. Os mais estéreis e os mais feios seres do planeta. Carregados de ódio a tudo o que é inocência, beleza, fragilidade, ternura, poema, afectos, abraço, beijo, paz desarmada.
O Deus dos outros existe? (enigma de Augusto Baptista in azul-canário)
Outra vez, Deus? Porque raio não se faz ateu ou agnóstico? Fale-me dos seres humanos. Das mulheres e dos homens. Dos milhões que estão nas cadeias, como criminosos, quando os verdadeiros criminosos são primeiros-ministros, vice-primeiros-ministros, donos de multinacionais, grandes sacerdotes à frente de grandes santuários, a saudar em várias línguas, as populações suas escravas, capachos dos seus pés. Saiba que não há Deus que se veja. Há o Poder. E as vítimas do Poder. São estas que, ao levantar-se, desarmadas, nos revelam, dão a conhecer o Deus outro que nunca ninguém viu. Nem elas. E que frequenta, como o vento/sopro politicamente subversivo e conspirativo, todos os porões e todas as valas comuns da humanidade.
Deus dá nozes a quem não tem dentes?
Deus, ainda? Mas que ataque de Deus lhe deu? Já reparou que, do nascer ao morrer, não sabemos outra cartilha que a catequese dos clérigos e dos pastores de igreja, essa espécie de seres que se separaram do resto das populações e se têm na conta de santos, puros, guias dos demais? São essas criaturas que nos infernizam a vida e que nos metem todo o tipo de petas. Só porque em terra de cegos, quem tem um olho é rei, é Poder. Mas só até ao dia em que alguém, na esteira de Jesus, acorda a luz que dorme dentro das populações cegas de nascença e elas vêem quanto têm sido comidas pelo Poder mascarado de Deus e começam a dar corpo, nos seus próprios corpos, a uma terra outra, sem deuses nem chefes, só irmãs, irmãos, vasos comunicantes.
Se sofro, logo Deus existe?
Uf! Já não suporto mais este seu ataque, com Deus, como arma de arremesso. Oiça, duma vez por todas: Se sofro, o Poder existe. Porque o Poder, mascarado de Deus, é a causa de todos os males, de todas as tragédias. Todos os outros delitos, pequenos delitos que levam milhares, milhões, às cadeias, são derivados do Deus Poder, criador de infernos, nos quais já somos obrigados a nascer. Porque, até agora, tudo é do Poder. E quem lhe resiste e o desmascara é crucificado. Ser humano, mas crucificado!
Se Deus não existisse teria de ser inventado?
Não, não teria. Duma vez por todas lhe digo: o Deus de que fala é o outro nome para dizer Poder omnipotente, omnisciente, omnipresente. A fonte de todo o terror. O criador de todos os infernos, também os nucleares. Mais os infernos da fome e da pobreza em massa. Tenha dó. Tanto Deus, tanto Deus, mas só para esconder tanto Poder, tanto Poder, que até os próprios ateus acabam por ser os seus principais adoradores. Não lhe chamam Deus, obviamente. Chamam-lhe Poder, Dinheiro. Hoje, o Poder financeiro global. Por favor, ateus, meus irmãos, não digam mais que são ateus. Falem verdade e digam que o vosso Deus é o Poder, nomeadamente, o Poder financeiro, porque sois vós, hoje, os seus mais fiéis adoradores. Para vosso mal. E mal da Humanidade.
Foi Cristo quem sonhou a Bíblia, e que dedicou a curta vida a construir intensamente, vivendo-os, os episódios que haveriam de a compor, e que os outros haveriam de escrever, como Ele sabia? (adaptação de aforismo de João Pedro Mésseder, in À sombra dos livros, Culturprint, abril 2013)
Cristo? Mas então não sabe que Cristo é um mito, sob o qual se esconde algo de tremendamente real e histórico – o Poder vencedor que jamais é vencido por nenhum outro?! Neste sentido, mas só neste sentido, é correcto dizer que Cristo = o Poder vencedor criou a Bíblia, como criou o Alcorão, e todos os outros livros ditos sagrados. É com esses livros ditos sagrados que os seus manipuladores nos têm feito toda a espécie de ninhos atrás das orelhas e nos fazem viver de cócoras. Jesus, o filho de Maria, é o anti-Cristo. Visceralmente, anti-Cristo. Por isso, é o crucificado pelos três Poderes, distintos, entre si, mas os três, um só. Esta seria uma longa conversa que, infelizmente, ninguém está interessado em alimentar. Porque, dois mil anos depois, Jesus, o de antes do cristianismo, continua a ser o grande desconhecido, a começar pelas maiores universidades do mundo! Apenas conhecem o mítico Cristo que impuseram às populações, para que elas nunca cheguem a conhecer/prosseguir Jesus.
(Conclui amanhã)

