Um Café na Internet

Seduzem Sócrates o rigor e a precisão dos mestres de artes e ofícios. É preciso conhecer a rocha e os veios que por dentro a cruzam, para bem saber aplicar o cinzel e libertar da pedra a forma a que se aspira. Para Sócrates, são os artesãos os seus primeiros professores da arte de pensar. Na juventude, também ele aprende a usar o cinzel. Mas ambiciona uma outra matéria mais nobre para esculpir: a alma humana. Pensando na arte de sua mãe, prefere dizer que é um parteiro de almas. Vocação espinhosa para quem tem rosto de fauno e certamente os mesmos apetites. Porém a busca da perfeição exige-lhe o total domínio da carne. Gosta de vinho, mas nunca ninguém o viu bêbedo. Gosta da companhia dos jovens, mas nunca ninguém lhe apontou devassidão. Todos lhe reconhecem temperança. Um discípulo aristocrata quer ceder-lhe dois ou três criados (escravos) para que melhor seja cuidado o seu lar, dirigido por Xantipa, a sua mal humorada mulher. Sócrates recusa a oferta. Antes propõe que seja resgatado o escravo Fédon, porque se este for dono da própria vida poderá vir a ser um filósofo. Ou seja, um amigo (filo) da sabedoria (sofia). E assim foi feito, pedido atendido, Fédon resgatado.
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