POESIA AO AMANHECER – 279 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

JOSÉ-ALBERTO MARQUES

( 1939 )

 

O DESENHO DO SANGUE DA PALAVRA

 

Psalmos, rezas, ditirambos, enunciações órficas,

Apóstrofes, odes, assíndetos, hipérbatos, melodias,

Elegias,

Canções, extensões de leituras isomórficas.

Mas a escrita? Essa linha longínqua e cadente

Que a passo lento, com a lentidão da vida, põe o coração

Na mão

A quem precisa, ávido!, do sopro no corpo ardente.

Despem-se as vestes, insinuando-se as vestais

Quando já rolam na arena os animais, espumando sabores

Da guerra que não é de matar, mas de raivas mortais.

Tocam tambores na tarde calma, é o sangue como lema

Sob o dossel do amor sem regras nem elípticos temores

Que a liberdade à solta é a força do poema.

(de “Hiperlíricas”)

Participou no movimento de “Poesia  experimental”, designadamente na exposição “PO-EX: O Experimentalismo Português entre 1964-1984” (1999). Da sua obra poética, salienta-se: “A Face do Tempo” (1964), “Estórias de Coisas” (1971), “Aprendizagem do Corpo” (1983), “Poemografias” (1985), “Padrões” (1999), “Hiperlíricas” (2004).

 

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