
Em Lisboa, D. João VI falece em 10 de março de 1826. Inquieto, D. Pedro parte do Brasil para Portugal. Ali, em 26 de abril, é coroado como El-Rei D. Pedro IV, euforia. Uma semana depois, em 2 de maio, abdica a favor da sua filha Maria da Glória que tem apenas 7 anos. D. Miguel aceita ser o tutor da sobrinha para, uns 10 anos mais tarde, poder casar com ela.
D. Pedro regressa ao Brasil. Tranquilo? Duvido, apenas tolerante, pois bem sabe que o seu irmão já uma vez tentara depor o pai. Tolerância pode ser um abismo… Em 23 de julho de 1828, apesar do protesto dos liberais, D. Miguel destrona a Maria de 9 anos e proclama-se Rei absoluto de Portugal. Afrontado, D. Pedro irá tornar à terra natal, obviamente.
No Rio de Janeiro, a 7 de abril de 1831 abdica a favor do seu filho Pedro II, que tem apenas 5 anos. Abdica e trata de embarcar para o arquipélago dos Açores. Açafatas e preceptores ficam a tomar conta do garoto que, aos 14 anos, será declarado maior de idade e coroado Imperador do Brasil.
Ainda em 1831 D. Pedro arribou às ilhas onde, a partir de Angra, mobilizou numeroso exército de liberais. Rumaram depois para o continente, desembarcaram no Mindelo, praia perto do Porto, cidade onde, em 1820, eclodira uma revolta liberal. Em 1817, na região de Lisboa, também houvera idêntica insurreição. Mas vamos ao que interessa: os miguelistas cercaram as forças de D. Pedro, brigas de infância a serem convertidas em guerra civil; espartilhar ou liberar poderes, Miguel ou Pedro?
Fileiras engrossadas de um lado e outro, de norte a sul absolutistas contra liberais, cerca de 3 anos de mortandade. Por fim os liberais, comandados pelo Duque da Terceira, em 24 de julho de 1833 ocuparam Lisboa. E em 26 de maio de 1834, em Évora Monte, D. Miguel, o Usurpador, assinou a rendição e partiu para o exílio na Alemanha.
D. Pedro repôs no trono a sua filha D. Maria II que já tinha 15 anos, o tempo passa… Regozijo popular com a vitória dos liberais, porém a tosse a varar D. Pedro. Quebranto, escarros de sangue, tuberculose a galopar. Recolheu-se ao Palácio de Queluz. Apagou-se em 24 de setembro de 1834. No mesmo quarto, na mesma cama onde, há 35 anos, fora dado à luz.
Saudades tenho do nosso Imperador.
