outros pedreiros, julgava-se uma árvore, um tronco
indestrutível agarrado a uma falésia. Com umas
mãos rugosas à espera de um seio e um corpo
de aço pronto a cortar o universo em dois.
É a sombra que me mete medo, dizia o pedreiro,
ou o que está dentro dela.
E é nessa zona que ele vive e constrói
os muros, indefinidamente, para saber o que
germina do lado de lá, onde supõe que esteja a
verdade do mundo. Talvez ali não existisse
apenas uma visão nua, um corpo deitado
coberto de alumínio.
(de “Os que Vão Morrer”)
Jornalista, poeta e romancista. Obra poética: “Melânquico” (1970), “A Dança dos Lilazes” (1982), “Beber a Cor” (1985), “A Perfeição das Coisas” (1988), “Os que Vão Morrer” (2000), “Do Extermínio” (2003).
*Muito obrigada -Maria*