Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
HENRY BLODGET, businessinsider
PARTE III
(CONCLUSÃO)
…
Gráfico 2: Os salários como percentagem do rendimento gerado na economia estão em baixa. Porque é que os lucros das empresas estão tão altos? Uma razão é a de que as empresas estão a pagar aos trabalhadores menos do que o que eles ganhavam antes em termos de PIB. E esta é uma razão pela qual a economia está tão fraca. Os “salários” representam a capacidade de despesa para os consumidores americanos. A despesa do consumidor americano é, por outro lado, receita para as outras empresas. Então a obsessão pela maximização do lucro das grandes empresas está actualmente a criar situações de extrema precariedade e pobreza para o resto da economia, e a não permitir o crescimento das receitas.
Gráfico 3. Há menos americanos a estarem empregados do que em qualquer outro momento, ao longo das últimas três décadas. Outra razão pela qual as grandes empresas são tão rentáveis é a de que eles não empregam muitos americanos, como era seu hábito. Isto é assim, em parte, porque as empresas hoje consideram os salários dos seus trabalhadores como “custos” em vez de os considerarem como seres humanos que estão a dedicar as suas vidas às empresas que, por sua vez, os estariam a apoiar a eles e às suas famílias. (Simbiose! Imagine isso!) Como resultado do fogo frenético em nome da “eficiência” e ” da rentabilidade do capital próprio”, a relação entre as pessoas empregadas e a população dos EUA entrou em colapso. Agora estamos a regressar aos níveis dos anos de 1970-80.
Business Insider, St. Louis Fed
Gráfico IV : A parte do nosso rendimento nacional que as empresas americanas estão a partilhar com as pessoas que nelas trabalham (” o trabalho”) está ao seu nível mais baixo. O resto do nosso rendimento nacional, naturalmente, vai para os accionistas e gestores (” rendimentos do capital”), que têm a ficar bem melhor hoje do que nunca o estiveram antes.
Em suma, a obsessão com “maximizar os lucros a curto prazo” que se desenvolveu na América nos últimos 30 anos criou uma cultura de negócios na qual os directores e executivos dançam ao som dos traders especialistas no curto prazo e dos relatórios dos resultados trimestrais, em vez de equilibrar o valor criado para os trabalhadores, clientes e investidores de longo prazo.
Isto não é o que fez da América um grande país. E não foi isto que fez de algumas excelentes empresas americanas a inveja do mundo. Isto também está a atingir e duramente a economia americana.
HENRY BLODGET, Sorry, It’s Not A ‘Law Of Capitalism’ That You Pay Your Employees As Little As Possible, Agosto de 2013.
Leia mais em: http://www.businessinsider.com/companies-need-to-pay-people-more-2013-8#ixzz2eFHWP8kc
______
Para ler a Parte II deste trabalho de Henry Blodget, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:


