“RETRATO DA SÁUDE EM LISBOA” por clara castilho

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Saiu um documento interessante sobre “ RETRATO DA SAÚDE EN LISBOA – contributo para um Perfil de Saúde da Cidade”, da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, datado de Junho de 2013. De autoria de Fátima Quitério, Patrícia Pereira, Benvinda Santos , Micaela Lopes, António Tavares.

 No seu preâmbulo afirmam:

“Um Perfil de Saúde deve corresponder à determinação das necessidades em saúde da população‐alvo, para poder estabelecer a pertinência do Plano que vier a ser equacionado e dos Programas e Projectos que o compuserem.

Assim, a caracterização que aqui se apresenta pretende ser dinâmica, correspondendo a um processo permanente, contínuo e em espiral. Portanto, é suficientemente alargada e aprofundada, não deixando de ser sucinta e clara.

Mas sobretudo pretende corresponder às necessidades do processo de planeamento em curso, conducente à elaboração dos Planos acima mencionados”.

Com uma vasta bibliografia, em que procuraram os últimos dados estatísticos referentes à cidade, na saúde mas não só e os integraram numa análise da situação actual, elaboram propostas pertinentes.

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Vejamos o que recomendam “Ao Nível da Intervenção”:

 “Importa desenvolver/ apoiar projectos que favoreçam a sociabilidade, a entreajuda, a boa vizinhança, a participação social, diminuindo o isolamento, em especial das pessoas idosas. A nível pessoal e familiar importa promover a sensação de bem-estar em casa, no edifício, na vizinhança, na cidade; estimular o cuidado a ter com a casa e espaço envolvente, de modo a aumentar sensação de bem-estar; estudar estratégias para ultrapassar problemas de solidão, sobrelotação e saúde mental, estimular a coesão da família, o respeito pelo espaço individual e espaços comuns; estudar os problemas de violência doméstica.

 […]trazer para primeiro plano conceitos de incremento de redes de vizinhança, de fim do anonimato na cidade, de solidariedade inter-geracional. Numa cidade com assimetrias relevantes, há que inventar a cidade forte, inclusiva, que ponha em relação os cidadãos e as suas associações, para um exercício pleno da sua cidadania.

 Importa desenvolver/ apoiar um planeamento urbano que incentive os transportes sustentáveis (ciclovias com estacionamentos de bicicletas, andar a pé e de transportes públicos); segurança; pequeno comércio próximo a zonas de habitação; espaços verdes, ruas arborizadas, jardins, praças, anfiteatros. O desenvolvimento/ reabilitação de zonas de convívio para crianças, adolescentes, adultos e idosos pode ter um impacto importante nos níveis de actividade física da população, um dos factores críticos para a saúde.  

Face ao elevado número de idosos na cidade, importa encetar acções de requalificação dos centros de acolhimento deste grupo etário, tornando-os espaços de bem-estar, onde os idosos vejam salvaguardados os seus laços sociais (Tavares, 2000).

 […] Importa dar uma especial atenção à Saúde Mental, sendo de citar alguns princípios defendidos pela OMS:

– Garantir a acessibilidade a todas as pessoas com problemas de saúde mental;

– Envolver a participação de utentes, familiares e diferentes entidades da comunidade;

– Colaborar com o sector social e organizações não-governamentais na reabilitação e prestação de cuidados continuados a doentes mentais graves;

– Promover uma estreita articulação do sector da Saúde Mental com os cuidados primários de saúde.

 … bem como as estratégias preconizadas pela Rede Europeia para a Promoção da Saúde Mental e a Prevenção das Perturbações Mentais, de acordo com as recomendações da União Europeia, de 2006:

– Programas para a primeira infância, que incluem aconselhamento pré-natal, intervenção precoce, formação parental, prevenção da violência doméstica e do abuso infantil, intervenções familiares e resolução de conflitos;

– Programas de educação sobre saúde mental na idade escolar, sensibilização de professores, prevenção da violência juvenil, aconselhamento para crianças e adolescentes com problemas específicos, prevenção do abuso de drogas, programas de desenvolvimento pessoal e social, prevenção do suicídio e das perturbações do comportamento alimentar;

– Políticas de luta contra a pobreza e a exclusão social, medidas de apoio a famílias em risco social, famílias multi-problemas ou a pessoas sem-abrigo.”

Sabemos analisar, sabemos fazer planos. E o que se irá fazer? Ah, já sei, falta o dinheiro para pôr tudo isto de pé!

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