PORTUGAL NA ENCRUZILHADA DE TRILEMAS – IV. Por JÚLIO MARQUES MOTA, LUÍS PERES LOPES e MARGARIDA ANTUNES.

Portugal na encruzilhada de trilemas

A propósito da visita recente de Dani Rodrik a Portugal e do trilema de que falou, um excerto do nosso texto “Portuguese economic growth at the crossroads of the euro and globalization”, apresentado na conferência From crisis to growth? The challenge of imbalances, debt, and limited resources, The Research Network Macroeconomics and Macroeconomic Policies, Berlim, 28-29 de Outubro de 2011, disponível emhttp://www.boeckler.de/pdf/v_2011_10_27_mota_et_al.pdf. 

Júlio Mota, Luís Lopes e Margarida Antunes

(CONCLUSÃO)

Desta proposta, e considerando a UE no seu conjunto, resultaria também um deslocar de lado do triângulo, mas agora para a sua base (ver figura 3.), fazendo-se assim um paralelismo com o compromisso de Bretton Woods referido por Rodrik (2011).

Figura 3. Trilema da UE no contexto global

 Trilema - III

Neste quadro, distanciar-nos-íamos do vértice superior, que identifica a actual economia global, significando isto que a proposta de Allais não é compatível com o quadro institucional global que existe hoje. Proteger as fronteiras regionais de bens e serviços produzidos em países com os quais se têm diferenças salariais que vão para além das diferenças de produtividade do trabalho e de taxas de inflação e que não respeitam normas ambientais implica uma nova OIT (Organização Internacional do Trabalho), com um estatuto colocado ao mesmo nível do da OMC, como implica também uma nova OMC onde os princípios de uma maior abertura e de uma maior competitividade sejam fortemente condicionados ao cumprimento dos outros princípios, também já estabelecidos por esta organização.

Isto implica porém, no plano internacional, uma dimensão e visão política que não existe ainda e um tempo longo de maturação. A situação actual na UE não é consentânea com esta espera, dada a necessidade imediata de ela mesma se reconfigurar e de assim encontrar outras soluções para o momento presente. Por estas razões e numa perspectiva de curto e médio prazo, a UE deve avançar sozinha no sentido da criação de uma organização regional que inclua uma união monetária e um novo mercado único, sem concorrência salarial e fiscal, como propusemos anteriormente. Esta via obriga que a UE se reposicione no contexto da economia global, de modo a condicionar a sua inserção internacional ao seu próprio crescimento económico.

Referência bibliográficas

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