“A ESTUPIDEZ É UM CÃO FIEL” – UM FOLHETIM DIÁRIO A PARTIR DE 1 DE OUTUBRO

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António Amaral,licenciado em Letras,  sócio-gerente de uma  empresa de importações e exportações de motores para barcos de pesca e embarcações de recreio, após ter sofrido um pequeno acidente cardiovascular, aconselhado por Alfredo, cardiologista e seu companheiro das lutas académicas, faz umas férias no ambiente tranquilo da ilha de Porto Santo. Uma manhã, quando fazia o seu jogging pelo extenso areal…

«À sua aproximação, um grande bando de gaivotas levantou voo deixando na areia molhada a tatuagem de múltiplos tridentes.  Chegara agora a um labirinto de pequenas rochas, expostas pela maré baixa, interrompendo a pista dura e compactada do extenso areal e obrigando-o a escolher passagens, a contornar,  chapinhando nas bolsas de água. […]Foi então que, entre duas rochas maiores, viu o corpo,  quase nele tropeçando. […]Os olhos abertos e sem brilho, com as pálpebras levemente descaídas, conferiam ao rosto do morto uma certa expressão de abandono, de indiferença. A boca aberta, os dentes superiores expostos, com os ganchos metálicos de uma esquelética a surgir aos cantos,  acentuavam um ar triste e resignado, denunciando uma qualquer palavra que começara a ser dita e fora subitamente interrompida. Uma farripa de cabelos grisalhos, alourados, cobria e descobria a calva ao sabor do movimento ritmado das ondas. O homem estava obviamente morto,  sangrando da testa e do peito e aparentando  já alguma rigidez,  movendo-se com o ar inteiriçado e grotesco de uma marioneta ao sabor das ondas fracas da maré vazante,  que ora o cobriam de água,  ora o abandonavam em seguida sobre seu leito de areia.Uma dança macabra.»

E Sérgio Madeira, num estilo directo, começa a contar-nos a história de um crime cometido na praia de Porto Santo e que nos conduz a mais de trinta anos antes a Moçambique.

No próximo dia 1 de Outubro, sempre no horário das 17 horas, o nosso folhetim – A estupidez é um cão fiel, de Sérgio Madeira.

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