ATRAVESSEI O DESERTO INFINITO – um poema de Adão Cruz

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Atravessei o deserto infinito aqui e ali um oásis repousante

Por cada terra que passei a ambivalência cresceu

 

Virgem ou não deus ou demónio a tudo o corpo cedeu

idêntico a si mesmo na espiral concêntrica do desejo

 

Ao cimo de todas as escadas nada vi e para descer dentro de mim

tive de pendurar meus passos nas descarnadas sílabas do silêncio da madrugada

 

Fechei as feridas do mundo em versos secretos e fechados

e rasguei-os mais tarde na feira perante o riso dos pobres

 

No silêncio dos ruídos e das ruínas me escondi

de metáforas democráticas me discursei

 

Um dia cheguei ao rio que vai dar ao mar…

 

Ainda me encontro a caminho do mar onde espero sentar-me

na rocha húmida e fria vestida de algas e maresia olhar bem longe…

e começar alguma vida nesse dia

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