Hoje é o «Dia Mundial do Animal», dia que se celebra desde que, em 1931, numa reunião internacional de ecologistas ter escolhido o dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais, dia 4 de Outubro, para sensibilizar a opinião pública para a necessidade de proteger os animais e da preservação de todas as espécies; Para mostrar a importância dos animais na vida das pessoas.Já o temos dito – não apreciamos o costume de dedicar dias especiais á celebração de temas que deviam estar integradas nos nossos hábitos ao longo de todos os dias do ano. O Dia da Criança -, pois então as crianças não devem ser protegidas e acarinhadas todos os dias? O mesmo relativamente aos direitos do homem, da mãe, da família… E dos animais.
Os animais que connosco partilham o planeta e têm tanto direito como nós a habitá-lo, são vítimas de uma espécie que, dotada de um tipo de inteligência diferente, usa essa capacidade para destruir habitats, extinguir espécies e esgotar recursos que conduzem à extinção de outras.
Não dedicaámos a edição aos animais, mas nunca deixaremos de proclamar os seus direitos, nunca deixaremos de condenar as touradas, expressão máxima da face oculta da Humanidade, a que nunca é iluminada pelo sol da inteligência que caracteriza a espécie. Os partidos políticos, na sua maioria, não se atrevem a condenar o espectáculo taurino, pois não querem perder votos em regiões onde tal barbaridade è apreciada. Se houvesse um círculo eleitoral onde se praticasse a antropofagia, os partidos omitiriam esse pormenor. No que se refere à transmissão de touradas na televisão pública, só o Bloco de Esquerda e Os Verdes condenam tal abuso.
Não há argumentos válidos que justifiquem que o serviço público de televisão transmita um espectáculo que fere a sensibilidade e que ofende os princípios de muitos cidadãos . Tenho a convicção de que o gosto pelas touradas não atinge a maioria dos portugueses. Mas vamos supor que sim Parece-me que é algo que não pode ser referendado – o direito à crueldade para com os animais não pode ser sujeito a referendo. Se são muitos os apreciadores de um espectáculo doentio, isso não justifica que se promova e difunda tal espectáculo.
A tourada ccmo espectáculo não é uma tradição portuguesa. Não vou explicar maais uma vez as raizes castelhanas, aliás evidentes na nomenclatura taurina. Mas mesmo que o fosse, nem todas as tradições merecem ser conservadas – a escravatura foi extinta, a discriminação de género começa a ser atenuada. Torturar animais e fazer disso um espectáculo é indigno de seres humanos. E já não há paciência para os argumentos disparatados a que os aficcionados recorrem – a tradição, os grandes homens que gostavam de touradas, e quando nada disto é aceite como moeda válida, dizem qualquer parvoíce como «só quem ama a tourada compreende…». Numa alquimia tonta, tentando transformar em transcendência o que não passa de uma pulsão primária, de uma herança da pré-história.