O livro “Vozes insubmissas – A história das mulheres e dos homens que lutaream pela igualdade dos sexos quando era crime fazê-lo”, de Isabel do Carmo e Lígia Amâncio (Publacaçaões Dom Quixote, 2004), é do maior interesse e tem muito a ver com tudo o que iremos abordar dia 14, no dia de “A mulher na Sociedade – Viver, Intervir, Reflectir”.
Dele retiramos hoje algumas ideias sobre a mulher:
Vida de casados – “As mulheres obedeçam ao marido como ao Senhor. Pois assim como Cristo é a cabeça para a igreja também o marido o é para a mulher. Cristo é o Salvador do corpo, que é a igreja. Ora, assim a igreja obedece a Cristo, também as mulheres devem obedecer em tudo ao marido”.
Efésios, 5,6
“Toda a educação das mulheres deve fazer-se em função do homem. Agradar-lhe, ser-lhe útil, fazer-se amar e honrar por ele, educá-lo em jovem, tratá-lo em adulto, aconselhá-lo, consolá-lo, tornar-lhe a vida agradável e doce: aí estão os deveres das mulheres em todos os tempos e aquilo que se lhes deve ensinara desde a infância”.
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) – Emilio
“A primeira divisão de classe que se manifesta na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher no casamento, e a primeira opressão de classe com a opressão de sexo”.
Friedrich Engles (1820-1895) – A origem da família, da propriedade privada e do Estado.
“a mulher está para o homem, como africano para o europeu e macaco para o humano”
(Paul Topinar (1837) in Bard, 1999)
“O homem é o único animal macho que bate nas fêmeas. Parece então que é o mais brutal dos machos, a menos que a mulher seja a mais insuportável das fêmeas – hipótese em suma muito provável”.
Georges Courteline – 1858-1929 – Filosofia
John Stuart Mill compara a condição das mulheres à dos escravos numa obra intitulada “The Subjection of Womem”. Na 1ª vaga do feminismo a luta pelos direitos da mulher coincide com a luta anti-esclavagista – 1869
“A boa mãe tem de ser uma mulher, uma pessoa. E como é que se pode tornar uma pessoa se os pais a Adão, inocente, fraca, incompleta, a um homem que não a olha como igual mas que a usa como objecto do qual é proprietário.”
Sibilla Aleramo (1876-1960) – Uma Mulher
“As mulheres serviram de espelho aos homens durante séculos, possuíam o poder mágico e delicioso de reflectir uma imagem do homem duas vezes maior do que a real”.
Virgínia Wool (1882 – 1941) – Um quarto só para si.
“O que impregna irrevogavelmente a mais saudável, a mais descontraída das mulheres, como lei que se impõe a toda a sua existência física, o que a diferencia do homem não é nada que a deva fazer sentir-se inferior ao homem, mas ao contrário o que lhe permite afirmar-se ao seu lado, em plena especificidade feminina dos seus dons; reside aí um facto extraordinariamente importante e rico de consequências: o ritmo natural da sua vida, filosófica e psíquica”.