Qual é a imagem que a sociedade de consumo em que vivemos passa sobre a forma como as mulheres deveriam ser fisicamente? Bem apresentadas de acordo com as modas impostas pelos costureiros, que mudam de ano para ano, impelindo a novas aquisições de produtos de vestuário, calçado, acessórios, maquiagem. Com corpos elegantes e jovens, o que as leva a diversas actividades para o manterem dessa forma e consequente baixa-autoestima quando tal não se verifica.
A fotógrafa americana Jade Beall, a partir de uma experiência casual com uma amiga, acabou por se lançar num projecto de que nasceu um livro – “A Beautiful Body Book Project”. Qual a diferença com outros? É que resulta da adesão espontânea de mulheres, numa plataforma em que celebram os seus corpos tal como eles são e sem alterações digitais. Tem mais de 110 fotografias de mulheres mães e mulheres de todas as idades.
Para quê? Pretende-se continuar com outros volumes em que mulheres se deparam com a situação de encararem a velhice, o cancro, perturbações da alimentação, etc. Todas as mulheres fotografadas o fizeram voluntariamente, para ajudar outras mulheres que se identifiquem nas mesmas situações a ultrapassar os seus traumas.
Terá valido a pena?
Já uma outra realidade são os concursos de beleza de crianças em que elas são eleitas “misses”, desfilam na passerelle vestidas à semelhança das mulheres que passam modelos de costura, pintadas e penteadas para tal, em poses sensuais. Vi uns programas do que acontece nos EUA e é confrangedor. A imagem do que é ser mulher que se passa a essas crianças é a da “mulher-objecto”, que ficará para o futuro, a de mulher não vale mais do que a aparência, sem interessar o todo que se que é, numa “hipersexualização” das crianças.
Pois em França isso pode passar a ser proibido recentemente para meninas com idade inferior a 13 anos. Foi a antiga ministra do desporto e senadora Chantal Jouanno que levou o assunto ao Senado, tendo ainda que ser aprovado pela Assembleia Nacional. No entanto, a própria ministra dos Direitos da Mulheres, Najat Vallaud-Belkacem, considerou esta medida “excessiva”…
Estas meninas iriam grande dificuldade em lidar com seus corpos se, no futuro, ficassem como os apresentados em cima.

