OS PRIMEIROS DIAS DE AMIZADE – quadro de Dorindo Carvalho inspirado em poema de Eugénio de Andrade

Imagem1Óleo sobre tela (80 cmX80 cm)

Os primeiros dias da amizade

levam sempre à gloriosa loucura do verão;

não sei de tempo mais feliz,

a não ser

vaguear ao crepúsculo pelas dunas

em certos dias de setembro;

mas a morte rasteja pelas pedras,

o coração

impaciente por descer à agua.

Que pode um homem esperar quando

tão  puerilmente

se expõe  assim ao sol em carne viva?

 

 

 

 

 

Los primeros días de la Amistad

llevan siempre a la gloriosa locura del verano;

no sé de tiempo más feliz,

a no ser

 

vagar en el crepúsculo por las dunas

en ciertos días de septiembre;

mas la muerte se arrastra por las piedras,

con el corazón

 

impaciente por bajar hasta el agua.

Qué  puede un hombre esperar cuando

tan puerilmente

se  expone  así  al sol en carne viva?

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Este quadro, um óleo sobre tela (80cmX80cm),  foi inspirado num  livro de Eugénio de Andrade editado em Caracas – Blanco en lo Blanco tradução de Francisco Rivera. Francisco Rivera é um professor  universitárioImagem1 venezuelano, crítico literário e de artes plásticas, autor de vários títulos e tradutor de poesia. Escreveu sobre trabalhos de Dorindo Carvalho, nomeadamente o texto de um catálogo de uma exposição na capital da Venezuela. E, com este trabalho de Dorindo Carvalho, inspirado num poema de Eugénio de Andrade, encerramos esta pequena série que iniciámos com António Ramos Rosa. Os quadros, todos com as mesmas dimensões, destinavam-se a uma exposição que deveria ter sido realizada em Caracas, mas que devido a motivos imponderáveis não se realizou.

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