QUATRO QUESTÕES À VOLTA DO FIASCO DO TECTO DA DÍVIDA AMERICANA – Por MOHAMED EL-ERIAN

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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REUTERS/Daniel Munoz

Mohamed El-Erian, CEO of PIMCO

A data de 17 de Outubro aproxima-se e pode fazer disparar o tecto de dívida dos EUA que por agora continua a não se resolver. E o mundo dos investidores  procura saber o sentido de tudo isto. Business Insider, recentemente, entrevistou Mohamed El-Erian, um alto responsável de PIMCO, o maior fundo obrigacionista do mundo. Aqui estão as suas respostas sobre o tema.

Que significa o fiasco sobre o tecto da dívida para a economia americana?

A última coisa que a recuperação ainda lenta da América necessitava é o  de um enorme buraco que a suga  e de que são responsáveis os políticos como obra sua que será, se este vier a existir. No entanto, isso é o que a economia americana irá ter  se o Congresso não  aprovar o aumento do tecto  da dívida em tempo útil.

Enquanto nós pensamos que quando o momento decisivo chega  os nossos políticos virão a ganhar o sentido da razão, analisemos as consequências de uma incapacidade nossa em o conseguir . A conclusão é uma só: um disfuncionamento em cascata nos mercados financeiros, a economia volta de novo para a recessão, um aumento do desemprego e uma maior  instabilidade económica e financeira mundial.

O que significa isto para os mercados? De acções? De títulos do Tesouro americano?

Aqui é preciso diferenciar cuidadosamente as diferentes fases de um possível, embora improvável, enorme fracasso político.

Primeiro haveria o dia 17 de Outubro, data em que o Secretário do Tesouro Lew especificou como a data em que os EUA vão  ficar sem espaço para emitir  dívida legal. Na corrida até essa data, os mercados de capitais  e outros mercados de risco provavelmente irão ficar cada vez mais nervosos.

Neste caso, o dia 17 de Outubro poderia, embora pouco provável, revelar-se uma data limite bem difícil. Em vez disso, entre o dinheiro na mão e alguma flexibilidade de despesas e receitas, o Tesouro provavelmente seria capaz de aguentar a situação até ao fim do mês, sem incorrer em atrasos de pagamentos.

Os activos de risco provavelmente estariam sujeitos a uma  maior pressão, reagindo a cada sinal da DC. Enquanto isso, o funcionamento normal do mercado, incluindo a função importante do mercado Repo, estaria sujeito  a crescente tensão e stress.

Nas semanas que se seguem, o Departamento do Tesouro seria forçado a um processo muito delicado e desafiador de ter de estabelecer uma ordem de  prioridade de pagamento ou então de adiar alguns pagamentos e deveria fazê-lo sem rodeios.  Em ambos os casos, as autoridades  provavelmente procuram proteger no domínio do possível a fé  no  crédito da nação. Como outros compromissos de despesas  são dificilmente cortáveis poderíamos assistir a uma venda de um volume enorme de títulos  o que teria a ver com o medo de estarmos perante o aparecimento  de uma maior crise ainda enquanto que os títulos do  Tesouro poderiam ser vendidos.

Para lá da vontade quanto à capacidade financeira, o resultado seria o mesmo: o mundo estaria provavelmente a enfrentar a probabilidade de uma grande depressão.

Felizmente, tudo isso pode, deve e, provavelmente, será evitado quando a minoria no partido republicano perceber que tomar como refém o governo com o problema do tecto da dívida pode ter um impacto catastrófico sobre as gerações actuais e futuras.

O que é que face ao resto do mundo isto significa em termos de credibilidade?

Além de grandes prejuízos económicos internamente a permanência da América na economia global será também ela fortemente abalada.

Haverá países que provavelmente pensarão em reconstruir uma alternativa (ou mesmo várias) e recriar o sistema financeiro mundial até aqui centrado no dólar. Isto prejudicaria os benefícios substanciais e a influência que obtemos pelo facto de se ter o dólar a servir como moeda de reserva mundial e de outros países  que externalizam  uma parte de seu processo de intermediação financeira para o sistema que é o mais sofisticado, mais profundo e, até recentemente, o sistema financeiro mais previsível.

Finalmente e para além de prejudicar os nossos interesses económicos, tudo isto prejudicaria os nossos interesses de segurança nacional e da nossa politica global de  permanência  no mundo.

Isso pode ser pior que a crise financeira global desencadeada pela situação desordenada com o incumprimento  de  Lehman há 5 anos?

Sim, muito pior, talvez. E quanto mais cedo o Congresso perceber isso, maior é a probabilidade de que a América passe ao lado  de uma crise totalmente evitável e que a existir será de proporções históricas.

Mohamed El-Erian Answers,  4 Key Questions About The Debt Ceiling Fiasco, texto disponível em :

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