POESIA AO AMANHECER – 307 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

J. CORDEIRO DA MATTA

( 1857 – 1894 )

 

NEGRA!

Negra! negra! como a noite

de uma horrível tempestade,

mas linda, mimosa e bela

como a mais gentil beldade!

Negra! negra como a asa

do corvo mais negro e escuro,

mas tendo nos claros olhos

o olhar mais límpido e puro!

Negra! negra! como o ébano

sedutora como Fedra,

possuindo as celsas formas

em que a boa graça medra!

Negra! negra!… mas tão linda

co’os seus dentes de marfim:

que quando os lábios entreabre,

não sei o que sinto em mim!…

(de “Almanach de Lembranças” 1884)

Negro, nasceu no norte de Angola. Neste poema o tema é ainda o da beleza da mulher africana, não obstante algumas contradições internas. São-lhe atribuídas muitas obras cujos manuscritos se perderam. Publicou “Delírios-Versos, 1875-1887” (1887).

Leave a Reply