A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Entro em Macieira da Maia – Vilarinho – ao meio-dia e meia. Sabendo que é sábado, que pode ser hora de almoço, que a farmácia se situa longe do Capri, peço logo a chave do albergue neste café, o qual se situa à entrada da terra; quero acima de tudo evitar as idas e voltas. Fitam-me com espanto. Quem me informou que, se não está na farmácia, está no café Capri? Não acabo de chegar? Por os roteiros serem muito completos em tudo quanto nos importa, é frequente os peregrinos disporem – neste domínio – de informações que os habitantes ignoram. Ninguém possui a totalidade do conhecimento referente a um espaço, apenas o que lhe diz respeito em função da idade, relações, ocupações, interesses; no entanto, sobretudo nos meios pequenos, quem lá vive pensa saber tudo e isto, mais a incompreensão linguística, mais a total incompreensão das aparências, motivações e comportamentos, dá por vezes aos peregrinos de Santiago uma dimensão fantástica – ou suspeita. Quando verificam que afinal falo português, aproveitam em alguns lugares para me perguntar: