EDITORIAL – TRAGÉDIA NO SAHARA, ANTES DE CHEGAR A LAMPEDUSA.

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Ontem tivemos a terrível notícia de noventa e duas pessoas, metade delas crianças, e a maioria das restantes mulheres, terem morrido de sede no Sahara, numa rota entre o Níger e a Argélia. Iam, ao que parece, numa camionete que se avariou, em pleno deserto. Alguns homens terão ido até Arlit, uma cidade mineira, à procura de auxílio. Quando a equipa de socorro chegou ao local encontrou-os mortos. Vejam a notícia no Guardian:

http://www.theguardian.com/world/20http://www.theguardian.com/world/2013/oct/31/niger-migrants-found-dead-sahara-desert13/oct/31/niger-migrants-found-dead-sahara-desert

Põem-se interrogações sobre o que terá acontecido para aquele grupo de pessoas ter chegado ali naquelas circunstâncias, exposto a acontecer-lhe o que aconteceu. A notícia põe a hipótese  de tráfego de pessoas humanas,  e de alguém ter fechado os olhos á sua passagem em circunstâncias que indiciam corrupção. Entretanto, há pouco tempo mais 35 pessoas terão sido encontradas mortas em circunstâncias semelhantes.

Qual seria o seu destino? A Europa? Como é possível, nos dias que correm andarem nos caminhos grupos tão grandes de pessoas, sujeitos a tragédias desta dimensão? Sobre este problema deveria debruçar-se a comunidade internacional com prioridade, a começar pelos organismos como a ONU. O número de catástrofes semelhantes é assustador, até porque é bastante maior do que o que é noticiado. Que é preciso para as grandes, médias e pequenas potências tomarem medidas que previnam catástrofes destas? A notícia dá a entender que estas infelizes pessoas terão atravessado todo o território sob a jurisdição do estado do Níger, para entrar na Argélia, e possivelmente atingirem a costa do Mediterrâneo.

O seu local de partida seria na zona onde fica a cidade de Zinder, no sul do Níger. Andaram tantos quilómetros para encontrar este fim horrível. Mas o que os fez deixar a sua terra de origem? Que violências, que grau extremo de miséria, estará na origem de se meterem assim a caminho? As especulações e as respostas fáceis não servem. É preciso ter um conhecimento aprofundado do que se passa. Os organismos internacionais, a comunicação social, os estados, as organizações não governamentais têm obrigação de informar. E prevenir estas tragédias, que vão ocorrendo em todo o lado do mundo.

2 Comments

  1. Que humanidade é essa nossa, caro João, que deixa o terror se repetir e repetir,
    que seres somos nós para nos sentirmos assim perplexos diante disso, mas incapazes de
    mover e comover os poderosos para que enxerguem e façam alguma coisa?

    Receba, ao menos, o meu impotente abraço solidário.
    Rachell Gutiérrez

  2. Rachel, perdoe só agora lhe responder. A nossa impotência perante estes acontecimentos é o problema maior do mundo contemporâneo. Não ponho em dúvida que a grande maioria das pessoas está horrorizada com estas tragédias. O problema é o exercício do poder. Quem governa deixa de pensar nas pessoas e nos interesses gerais. Não quero que pense que enveredei por pensar que “todos são iguais, não há solução”. Mas temos que concordar que os problemas estão cada vez maiores, e que todo o espectáculo político de governação a que assistimos é para nos desviar dos problemas essenciais.

    Permita que lhe envie um grande abraço. João.

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