EDITORIAL – TEMOS DE SER MAIS MODESTOS NOS GASTOS

Imagem2Em declarações aos jornalistas, no final da celebração da missa dos «fiéis defuntos», realizada na Sé Patriarcal de Lisboa, o patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, expendeu a opinião de que nós (os portugueses) temos de ser “mais modestos” e reduzir despesas. Em todos o caso, acrescentou que os sacrifícios só podem ser pedidos a quem tem recursos. Está certo, se o novo patriarca considera «recursos» o que fica depois de se cobrir as despesas básicas – habitação, alimentação, saúde…

O que acontece é que este governo está, em fatias, a cortar os magros proventos de quem apenas tinha o indispensável para sobreviver – são esses que estão a ser “mais modestos” – tão modestos que, ao olhar para o que lhes resta, se interrogam – a “modéstia” deve incidir sobre a alimentação, sobre a medicação – pagar ou não pagar o alojamento? Porque, quando se diz «nós, os portugueses», abrange-se um leque amplo de personalidades que vai desde os sem-abrigo até á mais alta magistratura da Nação.

Vejamos alguns casos de presumível imodéstia – 130 milhões de euros por ano gastos com a AR,  47 milhões de indemnizações aos accionistas do BPN e 12 mil milhões injectados na banca… Não sabemos se estes números são exactos, pois colhemo-los em “material circulante” na internet – mas só a ideia de que uma destas três suspeitas se confirme faz ferver o sangue. Manuel Clemente, religião aparte, parecia um homem inteligente sensato. A sua nomeação como patriarca de Lisboa, matou o ser humano e deu lugar à figura institucional, ao robot que diz o que é conveniente à Igreja e não o que é justo. Não estamos surpreendidos – sempre foi assim. Mas há limites para tudo e para a cobardia também. Diga D. Manuel: «temos de ser mais modestos nos gastos»? – Nós, quem?

1 Comment

  1. Por acaso escrevi um comentário, no sítio do semanário “SOL”, que noticiava esta extraordinária demonstração de subserviência do cardeal ao poder político nacional e ao poder financeiro internacional. Reproduzo-o aqui. É curto… mas nestes sítios há limitações de caracteres a usar…
    «Estou-me borrifando para a existência ou não de um “criador” e ainda mais para um ente divino que precise de “criar” uma espécie para o adorar.
    Mas não tenho qualquer dúvida de que respeito mais a doutrina de Cristo (que foi elaborada por alguém, que existiu à margem de polémicas históricas, fosse ou não chamado de Jesus de Nazaré), humanista, inovadora e corajosa para a época, do que uns senhores que enchem a boca com esse nome e continuam a afadigar-se no esforço de manutenção das discriminações sociais, entre (muito) ricos – incluindo os especuladores financeiros, verdadeiros responsáveis pela pretensa “crise” – e miseráveis, o que a doutrina que invocam condena sem ambiguidades. A hierarquia da ICAR, pretensamente cristã, continua a não tocar num pelinho que seja dos oligarcas que mandam no Mundo e são os grandes responsáveis por estas “crises”, com a ajuda de governos seus servidores que espoliam a maioria das populações e traem as suas Pátrias, para satisfazer a infinita ganância dos seus donos. Quem, dizendo-se cristão, sonega isto, ou é parvo ou está a trair tudo aquilo em que diz acreditar. Pessoalmente, nunca fiquei à espera da “recompensa eterna” para reconhecer a dignidade do Ser Humano e lutar por ela, enquanto vou tentando ajudar como posso os mais desvalidos que me estão próximos: basta-me a razão da necessidade de hoje e a esperança num Mundo onde ninguém seja tratado de forma indigna. Se ao menos estes “crentes” acreditassem no inferno…

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