ROBOT – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

Passa na TV um programa sobre a greve dos têxteis do Vale do Ave. Comigo, na sala, o robot da minha filha, o qual mais parece um gatão sentado, tranquilidade. Ao lado, na poltrona, o Joaquim Sá, meu vizinho e amigo, dono de uma fabriqueta de malhas.

Assanhado, aponta ora para o televisor, ora para o robot e berra:

 

 Eu quero é ver o que vão fazer os sindicatos quando os operários forem substituídos pelos robots

 

Revida o robot:  

 

Eu quero é ver onde vão parar os lucros dos empresários porque nós, os robots, se estamos na tua fábrica é porque já estamos em todas as fábricas do país. De nada precisamos, nada ganhamos, nada compramos, muito menos  roupa. E tu, Joaquim, sem compradores para as tuas malhas, nada vendes, nada ganhas.

                  

O Joaquim embatocado e eu a rir. Há que pintar de vermelho este robot

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