POEMAS DO AL-ANDALUS – 4 – fotografias de Fábio Roque

Imagem1É a quarta das sete imagens que formam esta pequena série. As fotografias de Fábio Roque documentam, sem demagogia, sem especulação, instantâneos colhidos em ruas de cidades magrebinas. Os poemas que nos chegam dos séculos XII e XIII, testemunham uma liberdade intelectual que hoje em dia não existe em países islâmicos.A quarta fotografia não será acompanhada por um poema de uma mulher, mas de versos singelos sobre uma jovem.Já vimos como, no Al-Andalus, a tomada do poder pelos Almóadas veio permitir uma liberalização nos costumes e a intervenção feminina na literatura, participando as mulheres de tertúlias onde os problemas da cultura eram debatidos. No século XIII, o território iria ser abalado pelo desencadear da chamada «Reconquista», com os exércitos cristãos a ocupar parte substancial do território. Porém, a pesar da guerra permanente e devastadora, os poetas não deixaram de escrever sobre o tema eterno do amor –  Abū-l-Bacqā’, um poeta nascido em Ronda (1204-1286), autor de una famosa elegía sobre a perda do Al-Andalus, num registo menos épico, descreve uma rapariga saindo do banho:

Emerge do banho secando o rosto

da água de rosas e açofeifas;

a água desliza-lhe pelas tranças

como o orvalho pelas asas do corvo.

É como o luminoso sol da manhã

Que nos aparece através das nuvens

( Ttradução feita a partir da versão em castelhano de Teresa Garulo)

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