POESIA AO AMANHECER – 315 – por Manuel Simões

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ANTERO ABREU

( 1927 )

O LONGO SONHO

O quartzo  o sol  a onda  a flor

Por cima  por baixo  da linha da terra

Asas minazes um silvo um estrondo

O sono  a morte  o fogo  a arma

O amor adiado  o amor interrupto

Um gesto  um aceno  um braço cortado

A goma dos dias  o hábito  a força

A ausência  a firmeza  canção entoada

O futuro como erva despontando na rocha

A gota do tempo  a água  promessa

O vazio da sombra aguardando o fluido

Ai como é estreito como é longo o sonho

(de “Poesia Intermitente”)

Colaborou como poeta no “Meridiano” (boletim da secção de Coimbra da CEI), na “Via Latina” (Coimbra) e também na “Mensagem”, órgão da Associação dos Naturais de Angola. Obra poética: “A Tua Voz Angola” (1978), “Permanência” (1979) e “Poesia Intermitente” (1987).

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