CELEBRANDO VINICIUS DE MORAES – 12 – por Álvaro José Ferreira

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Para ouvir os poemas de Vinicius de Moraes (os recitados e os cantados), há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.pt/2013/10/celebrando-vinicius-de-moraes_29.html

AMIGOS MEUS

Poema: Vinicius de Moraes
Música: Toquinho (Antônio Pecci Filho)
Intérprete: Toquinho e Vinicius de Moraes* (in LP “Um Pouco de Ilusão”, Ariola, 1980, reed. Universal, 2001)

[instrumental]

Amigos meus, está chegando a hora
Em que a tristeza aproveita p’ra entrar
E todos nós vamos ter que ir embora
P’ra a vida lá fora continuar

Amigos meus, está chegando a hora
Em que a tristeza aproveita p’ra entrar
E todos nós vamos ter que ir embora
P’ra a vida lá fora continuar

Tem sempre aquele
Que toma mais uma num bar
Tem sempre um outro
Que vai direitinho p’ra o lar
Mas tem também
Uma sala que está vazia
Sem luz, sem amor, sombria
Prontinha p’ra o show voltar
E em novo dia
A gente ver novamente
A sala se encher de gente
P’ra a gente recomeçar

E em novo dia
A gente ver novamente
A sala se encher de gente
P’ra a gente recomeçar

Amigos meus, está chegando a hora
Em que a tristeza aproveita p’ra entrar
E todos nós vamos ter que ir embora
P’ra a vida lá fora continuar

Amigos meus, está chegando a hora
Em que a tristeza aproveita p’ra entrar
E todos nós vamos ter que ir embora
P’ra a vida lá fora continuar

Tem sempre aquele
Que toma mais uma num bar
Tem sempre um outro
Que vai direitinho p’ra o lar
Mas tem também
Uma sala que está vazia
Sem luz, sem amor, sombria
Prontinha p’ra o show voltar
E em novo dia
A gente ver novamente
A sala se encher de gente
P’ra a gente recomeçar

E em novo dia
A gente ver novamente
A sala se encher de gente
P’ra a gente recomeçar

Amigos meus, está chegando a hora
Em que a tristeza aproveita p’ra entrar
E todos nós vamos ter que ir embora
P’ra a vida lá fora continuar

Amigos meus, está chegando a hora
Em que a tristeza aproveita p’ra entrar
E todos nós vamos ter que ir embora
P’ra a vida lá fora continuar

P’ra a vida lá fora continuar
P’ra a vida lá fora continuar
P’ra a vida lá fora continuar
P’ra a vida lá fora continuar
P’ra a vida lá fora continuar

* Produção – Mazola, Cayon J. Gadia e Toquinho

A HORA ÍNTIMA

Poema de Vinicius de Moraes (in “Novos Poemas II”, Rio de Janeiro: São José, 1959; “Antologia Poética”, Lisboa: Círculo de Leitores, 2004 – págs. 333-336)
Recitado pelo Autor* (in EP “Vinicius de Moraes: Poesias”, Festa, 1959; CD “Lances de Vinicius 1”, Universal, 2001)

Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal…
Quem, bêbedo, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto…
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio,
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há-de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo…
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há-de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei-de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançará um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há-de orar: — Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há-de ser nada…
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?

Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?

* Produção – Irineu Garcia

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