CONSCIÊNCIA. QUAL CONSCIÊNCIA? – por António Mão de Ferro

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Nem foi preciso pensar muito porque, ao ver que dali tirava vantagens, nem hesitou e disse sim!

Aquilo com que tinha acabado de concordar era das coisas que ele mais detestava.

Sempre tinha defendido o contrário. Sempre disse que só tinha uma cara e que a palavra dele era a de um homem honrado! Mas achou que era preferível engolir em seco. Se não os podes vencer, junta-te a eles, pensou. Que diabo a pessoa tem que zelar pelos seus interesses!

Verdade se diga que sentiu-se um bocado enervado e comprometido com ele próprio. Mas disse para consigo, mais vale ter uma ulcerazita e fazer tudo o que quiserem, do que deixar de desempenhar o lugar, que até dá direito a carro, a um bom ordenado e a outros privilégios. Claro que se tivesse ido contra a corrente não seria despedido logo, mas era melhor prevenir do que ser surpreendido mais tarde.

 Nas boas graças dos que dominam a “coisa” pode até aspirar a ser nomeado para um cargo mais elevado, diretor de um Instituto Público, talvez até saltar para um lugar de deputado, administrador de um banco, coisas que para além de dinheiro lhe deem notoriedade. Que diabo, só não mudam os burros, diz ele para os seus botões!

Vai pensando que por mais que a pessoa queira, há sempre dificuldade em controlar uma parte do eu. Ele tomou a atitude de ser o outro de si mesmo e por isso acha normal assumir um comportamento que é incompatível com aquele que teria quando era o outro.

Mas o inconsciente é uma coisa tramada e ataca sem o indivíduo querer. Fá-lo entrar em conflito com ele mesmo com o intuito de o obrigar a manter aquilo que antes considerava certo. Não há dúvida de que as batalhas mais importantes são muitas vezes travadas com o próprio.

Sentiu mais uma valente dor no estomago. A úlcera já o atacava sem dó nem piedade. Não associou a dor à sua infidelidade para consigo mesmo. É normal ter dificuldade em se compreender a ele próprio. Mas bolas, nova guinada, e desta vez a dor era mais forte!

Telefonou ao médico e chamou um táxi. Como a dor não passava pediu ao motorista para acelerar até ao consultório. O médico, que teve que lhe dar um medicamento para o acalmar e atenuar as dores, disse-lhe que todo o seu problema era originado pelo stress. Receitou-lhe uns medicamentos e disse-lhe para ir para casa descansar.

As dores passaram. Mas a consciência  atormentou-o!

Mas que raio de texto este. Que ingenuidade? Quem se vende aos que têm poder ainda tem consciência?!

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