POESIA AO AMANHECER – 324 – por Manuel Simões

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COSTA ANDRADE

( 1936)

            MULATO

             Pertenço à geração que há-de vencer

            e tenta abrir novas estradas

            sobre o mundo.

            Não paro nem me canso

            nem me assusto

            nem mesmo grito já

            as vozes que o silêncio enrouqueceu.

 

            Nasci igual a uma mensagem

            com raízes em todos os continentes…

 

            Fizeram-me capaz de amar

            e de criar

            carregaram-me os ombros

            de certezas

            e deram-me a coragem de transpor

            impedimentos.

 

            Igual a ti irmão de todas as europas

            e a ti irmão que transpareces

            as áfricas futuras.

                                   Março de 1960.

             (de “Terra de Acácias Rubras”)

 Poeta e contista. Colaborou assiduamente na imprensa angolana e figura em muitas antologias.

Esteve exilado no Brasil, em Itália e na Jugoslávia. Depois da independência, foi director do “Jornal de Angola” (1976-1978). Da sua obra poética: “Terra de Acácias Rubras” (CEI, 1961), “Tempo Angolano em Itália” (1963), “O Regresso e o Canto” (1975), “Poesia com Armas” (1975), “Os Sentidos da Pedra” (1989).

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