A IMPORTÂNCIA DE SER HERÓI – por António Mão de Ferro

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“Ninguém é herói para o seu criado de quarto”. É um dito popular que de vez em quando se houve referir.

Provavelmente poucos se questionaram do porquê. Se isso fosse feito talvez se chegasse à conclusão de que é apenas natural quando se é visto na intimidade do quarto onde dorme, em que a pessoa se apresenta em cuecas ou sem elas, despenteado, com a cara suja, rameloso, com ares de endorminhado, eventualmente com dores de cabeça, aborrecido, eufórico, stressado etc. etc. .

Vendo a pessoa nestas maneiras, é natural que o criado de quarto diga: – mas isto é que é um herói?!

O problema é quando os que vivem na mesma casa têm a mesma visão que o criado de quarto. Pode cair-se numa desvalorização sistemática do outro e tender para a degradação do relacionamento e ficar a um passo da rutura

Quando acontece no trabalho, entre os colegas, em que uns vestem a farda de criado de quarto, a situação também pode levar a consequências imprevisíveis. Conhecem o modo como atuam, os seus tiques, as suas disposições, as suas fraquezas, os seus calcanhares de Aquiles, e centrando-se neles  poderão ignorar  capacidades profissionais, maneiras eficazes de resolver  situações laborais e ainda a criatividade e imaginação que muitas vezes utilizam para levar de vencida as adversidades com que o trabalho os confronta.

Dar ênfase ao menos conseguido, em detrimento do potencial que se evidencia é ignorar a importância de que todos sejam heróis. É também contribuir para que todos acabem por se tornar criados de quarto, sem ofensa para estes profissionais, que embora em desuso não se devem desconsiderar. Daí, e tal como um outro dito, porque santos de casa não fazem milagres, poder haver a tendência para se procurar noutros locais fora da empresa conhecimentos que existem dentro do grupo .

E como o nosso país é pequeno esta visão do criado de quarto pode estender-se a todo o território. Os portugueses diminuem a imagem que têm de si próprios e aceitam facilmente ideias produzidas noutro lado. Chegam mesmo a pagar a consultores para os ouvirem dizer-lhes aquilo que eles já sabem!

E se em vez de se ter esta visão do “quartito”, se pensasse que os portugueses sempre se esforçaram por estar numa relação direta com o saber e com as técnicas do seu tempo?

 

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