Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 141 – por Manuela Degerine

 Meteorologia e paciência

imagem158Levanto-me às seis horas, tomo o pequeno almoço, arrumo as bagagens enquanto continua a chover a potes, a chover a cântaros, a chover por uma pá, a chover pela pá de muitas escavadeiras… Os franceses usam uma expressão cómica: “il pleut comme vaches qui pissent.” (Confio a tradução aos leitores.)

Muito estóicos, muito fatalistas, não pouco temerários, os outros andarilhos apressam-se a partir, eu sento-me e vou escrevendo, decidi não expor o nariz à chuva, tenho boas botas, um bom impermeável, é certo, todavia a água torna-me pitosga… Quero ver a paisagem pois para isso saí de Lisboa. Palmilhar quilómetros cegos para quê? A etapa de ontem não me deu água pela barba por eu não ter barba (e vir na conversa com Emma), não desejo repetir a façanha, disponho de todo o meu tempo – e não corro atrás das bronquites.

Franz vai buscar um café, senta-se à minha frente.

– De nada serve esperar: vai chover todo o dia!

–  É provável.

Se tivesse saído cedo do albergue, teria teimado até Pontevedra, porém agora, à medida que o tempo passa, torna-se inevitável pernoitar em Redondela. Desencontrar-me-ei de Emma. (A vida é uma sucessão de encontros e desencontros.)

Deduzindo que me resigno a pernoitar no Porrinho, Franz lança-se à chuva, Mika ergue-se enfim do beliche e parte pouco depois; acabam por navegar de conserva. Eu saio às onze horas: percorro a etapa com sol e bom humor. (Não sei porquê… Sinto-me aliviada.)

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