caídas de uma súbita maré alta (lúcida e predestinada)
entre o areal e as ondulantes palmas.
As pequenas casas cúbicas e caladas
onde os problemas são primários e as janelas fechadas
e os tectos de macúti…
Quem sofre dentro das rústicas portas não aplainadas?
Ou se encosta chorando às trémulas arestas
projectadas entre ângulos de acaso?
Que mar indeterminado e abstracto
se reflecte num olhar ou num gesto marcado
por um ignoto hábito?)
(de “Ilha de Moçambique pela Voz dos Poetas”)
Portuguesa de origem, radicou-se em Moçambique desde 1951, onde viveu até 1974. Da sua vasta produção poética: “Distância” (1951), “Música Ausente” (1954), “Livro de Água” (1961), “Poemas do Tempo Agreste” (1964), “Do Tempo Inútil” (1975), Algures no Tempo” (2005).