
– Agora queixas-te do pivete? O rio está envenenado e nem um peixinho consegues pescar? Mas que vida era a tua antes da fábrica vir para aqui? Quanto ganhavas por dia? E o que davas tu de comer aos teus filhos? E ainda te queixas? Deixa-te de parvoíces, não cagues no prato onde comes! E já que estamos a falar em porcarias, sempre te digo que mais porcos e famintos andavam os teus filhos antes de aqui chegarmos. Do que te queixas é dos custos do progresso. Mas faz as contas, compara o antes com o depois e vê lá se pioraste ou melhoraste. Não transformes a fábrica em bode expiatório. É a fábrica que te dá de comer, não te esqueças. Porca é, foi e será sempre a humanidade, ainda estamos a pagar o pecado original. Não queiram travar o progresso, não sejam ingratos, não façam ondas! Nem imaginam como está a ser espinhoso manter a fábrica a trabalhar só para vos dar de comer… Calminha, ou então o senhor diretor enfada-se, fecha a fábrica e vão todos para o desemprego. Tal como está a acontecer noutros lugares. Perceberam?
Percebi. Antes morrer envenenado lentamente, do que à fome de repente.

[image: Imagem intercalada 1]ESTE ARTIGO ,DE UMA MORDACIDADE EXEMPLAR -OBRIGADA -maria