Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 149 – por Manuela Degerine

Encontros em Pontevedra

imagem158De 2012 a esta parte o fogão envelheceu mais do que um ano, por conseguinte o arroz ainda lentamente coze quando os eleitores de Frau Merkel aparecem com o seu saco de supermercado, o pacote de massa, o pacote de molho e o litro de vinho, explico o funcionamento dos botões e vou prevenindo, esperem bem sentados, a ebulição não é rápida… Despejo enfim um terço do conteúdo do tacho num prato, o meu jantar, o resto noutro para, logo que fique morno, o meter nas caixas, sigo com um prato muito cheio em cada mão – e um saco à tiracolo – na direção do refeitório.

– Manuela!

Vejo Angelika. Não concluímos as congratulações quando chega Pieter: muito bronzeado. (Como é que ele faz? Chove todos os dias!) E a seguir: Jette. Sentamo-nos a conversar. A rir. A beber chá. Junta-se ao grupo uma das finlandesas…

(A outra está doente. Aliás a lembrança do albergue que este ano guardarei será o fedor, porquanto todos os que, a partir de Valença, se lançaram nas tapas: têm diarreia. Ou sentem-se febris, enjoados: esquisitos. Eu… continuo cheia de energia. Alterno arroz com massa, acrescento ervas, queijo, legumes, especiarias, faço uma panelada à noite, janto, alimento-me durante a caminhada, para além disto: iogurte, chocolate, flocos de aveia, frutos secos e frescos. Não recomendo a todos este regime, porém eu como com prazer e proveito.)

Enquanto vou jantando e os outros petiscando, a finlandesa conta-nos a Terra do Fogo, mas atalha num tom escandalizado.

– … É igual à Noruega!

Como se eu fosse à Nova Orleães e só ouvisse cantar fado. Quando eles se orientam na direção do duche, vou passear por Pontevedra e fazer compras alimentícias. Encontro no pátio o rapaz da tendinite, o qual ainda coxeia apoiado no bordão. (Franz e Mika jantam na tasca do outro lado da rua.)

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