POESIA AO AMANHECER – 342 – por Manuel Simões

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SEBASTIÃO ALBA

                                            ( 1940 )

            SUBÚRBIO

            ao Rui Nogar e ao Zé Neto

                Onde há casas menores com portas abertas

            por sobre os espaços que a luz orna

            entre as palmeiras

            e vultos que amanhecem envoltos

            em lençóis de que a noite suja escorreu

            a manhã pousa

            nos pulsos das mulheres que se elevam com ela

            e meninos negros alteiam-se

            no flanco das mães

            de olhos que a esperança já estria

            Os comerciantes assoam-se

            de varanda para varanda

            retribuem devagar a amizade

            que os meninos trazem para fora

            das tarefas diárias

            as luas carcomidas no sítio das fogueiras

            enfiadas murmuramente em seus colares.

            (de “O Ritmo do Presságio”)

Pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves. De origem portuguesa, radicou-se em Moçambique nos anos cinquenta. Obra poética: “O Ritmo do Presságio” (1981), “A Noite Dividida” (1983).

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