POESIA AO AMANHECER – 343 – por Manuel Simões

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       JORGE REBELO
( 1940 )

            POEMA DE UM MILITANTE

            Mãe.

            Eu tenho uma espingarda de ferro,

            o teu filho,

            aquele a quem um dia tu viste

            acorrentarem

            (E choraste,

            como se as correntes prendessem

            e ferissem

            as tuas mãos e os teus pés)

            o teu filho já é livre, Mãe,

            o teu filho tem uma espingarda de ferro.

            A minha espingarda

            vai quebrar todas as correntes,

            vai abrir todas as prisões,

            vai matar todos os tiranos,

            vai restituir a terra ao nosso povo.

            Mãe, é belo lutar pela liberdade,

            há uma mensagem de justiça em cada bala que eu disparo,

            há sonhos antigos que acordam como pássaros.

            Nas horas de combate, na frente de batalha,

            a tua imagem próxima desce sobre mim.

            É por ti também que eu luto, Mãe.

            Para que não haja lágrimas

            nos teus olhos.

            (de “Poesia africana di rivolta”)

Poeta moçambicano. Colaborou na “Breve Antologia de Literatura Moçambicana” editada pela Frente de Libertação (1967). Incluído em várias antologias, designadamente na antologia bilingue “Poesia africana di rivolta” (1969).

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