EDITORIAL – ¡Arriba Franco, más alto que Carrero Blanco!

Imagem2Há quarenta anos, neste dia 19 de Dezembro, lamentávamos ainda o que se passara três meses antes no Chile. Continuávamos a comentar o que ocorrera dois anos antes nas Capela do Rato quando, na missa das 19:30, um grupo de fiéis se declarou em greve da fome por 48 horas, em reflexão sobre a Guerra Colonial, guerra onde as baixas cresciam. Naquele 19 de Dezembro de 1973, tínhamos a convicção de que o regime fascista não duraria muito mais…

Nas três frentes africanas da Guerra Colonial, em Dezembro de 1973, as baixas portuguesas totalizaram 93 mortos. Em acções de combate morreram 40 militares. Neste mês os efectivos militares nas colónias atingiram os maiores valores de sempre com 65 592 militares em Angola, 32 036 na Guiné e 51 463 em Moçambique. Morreram durante o ano nos territórios em guerra 932 militares sendo 432 em combate. As despesas militares constituíam 37 por cento do total das despesas públicas.

O The  Guardian revelou que os generais Kaúlza de Arriaga e Silvino Silvério Marques conspiravam para substituir Marcello Caetano por Adriano Moreira. Nos dias 1 e 5 de Dezembro houvera reuniões do «Movimento dos Capitães». Faz hoje 40 anos, o país fervilhava de boatos e eis senão quando a televisão e a rádios nos anunciam que uma operação da ETA , com o nome de código «Operación Ogro», onde 100 quilos de Goma-2 , provocaram uma explosão de tal modo violenta que o carro onde o almirante seguia voou, aterrando sobre a cobertura de um edifício contíguo à igreja onde momentos antes assistira à missa.

Uma grande alegria percorreu as hostes progressistas . E porque a morte violenta de um homem, mesmo de um canalha como Carrero Blanco não devia ser saudada com exuberância, trocávamos uns sorrisos de “gioconda”. Mas logo, atravessando a fronteira, nos chegou um chiste: – ¡Arriba Franco, más alto que Carrero Blanco!

 E repetíamos a frase, escancarando as portas ao optimismo – era a viagem de ida para a ilusão democrática – estávamos só a quatro meses de Abril naquele dia 19 de Dezembro de 1973 em que a operação «Ogro» executou um dos militares mais asquerosos do regime franquista. Sabíamos muita coisa, mas ignorávamos que, com biografias menos repelentes do que a do almirante Carrero Blanco, uma vaga de adolescentes se preparava para substituir os «porcos fascistas» – «democratas» como Mariano Rajoy ou como Pedro Passos Coelho, quarenta anos depois, oprimiam, esmagavam, roubavam… Rajoy até parafraseia Salazar – «A Pátria não se discute!».

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