POESIA AO AMANHECER – 345 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

JORGE VIEGAS

( 1947 )

NA BOCA DA NOITE

Na boca da noite,

sob as asas negras

dos trágicos pressagos

da morte que sonhámos,

todos os poemas são possíveis.

Borbota impetuoso o sangue

que corre como um rio

pelos canais do ser.

Nas esteiras da memória

as imagens estupefacientes da loucura

brilham e perduram longamente.

A vida aflui-me aos pulsos

e o meu sangue plasma-se em palavras.

(de “Caliban 1”)

Poeta moçambicano, colaborou em “Caliban”. Incluído na antologia de poesia moçambicana “Nunca mais é sábado” (2004), em “Poets of Mozambique” (2006) e nos “Cadernos Moçambicanos Manguana”. Da sua obra poética: “Núcleo Tenaz” (1982), “Novelo de Chamas” (1989).

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