
Eu tenho uma vizinha, a D. Amélia, que é uma morena apetitosa e sacudida. Mariana, a minha mulher, bem reparou nos olhares que eu lançava à vizinha e ameaçou:
– Um dia destes essa gaja ainda leva com um chicharro no trombil.
– Ó mulher, deixa-te lá de parvoíces.
O marido da D. Amélia tratava-a muito mal, até porrada lhe dava. Felizmente morreu. Sentiu-se mal, levou a mão ao peito, deu-lhe o badagaio, esticou o pernil, bateu as botas. Agora a D. Amélia é viúva. As coisas complicam-se…
Batem com a aldraba no portão e a Mariana vai abrir: é a D. Amélia, toda vestida de preto. A Mariana fica que nem uma estátua de pau e a D. Amélia começa a chorar. A Mariana abre então os braços e aperta a vizinha contra o peito. Acaba por levá-la para dentro de casa.
Tudo se complica, ralado da vida fico eu…

[image: Imagem intercalada 1]Maria