Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 172 – por Manuela Degerine

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Imagens galegas

Imagem3O Caminho de Finisterra está sinalizado através de marcos com uma concha em azulejo que mostra a direção a seguir e com uma placa metálica que indica a distância até ao farol. Ora quando saímos de Santiago de Compostela… Descobrimos que os peregrinos – decerto – foram roubando estas placas. Como recordação? Para pendurarem nas paredes? Gente estúpida pouco aprende – já sabemos. E muito importa que o respeito pelos outros comece antes da partida para o Caminho… Não será sempre assim.

Em contrapartida, se não podemos contar com os marcos, abundam nas livrarias especializadas os roteiros – em todas as línguas menos o português – com a indicação não só das distâncias mas também das altitudes, dos albergues, das fontes, dos cafés, das farmácias, das mercearias, dos restaurantes, dos monumentos, dos bancos para nos sentarmos, dos caminhos a seguir e não seguir… (Eu passei por aqui no ano passado, agora contento-me com a memória – que não pesa na mochila.)

Vou atravessando zonas habitadas, sucedem-se os espigueiros mas, talvez por ser segunda-feira, talvez por o tempo permanecer incerto, não avisto quase ninguém. Sem embargo do chuvisco, há roupa a secar ao vento, o que denuncia alguns habitantes – recolhidos dentro de casa ou a trabalhar (a estudar) longe dela. Em todo o caso… De Tui a esta parte os cães deixaram de constituir um perigo para os caminhantes.

Páro na descida de Augapesada para aliviar os ombros e comer a caixa de massa que ontem me sobrou. Leio “Sempre en galego” num muro. No fim da encosta passo ao lado de uma ponte medieval, começo a subida para o Alto do Mar de Ovelhas: duzentos e quinze metros em menos de um quilómetro. Que topónimo tão poético… Imagino milhares de ovelhas a pastar, mais adiante deparo com um cavalo, dou-lhe festas mas ele pede biscoitos: compartilhamos o resto do pacote.

Vejo uma casa com camélias e rododendros vermelhos a contrastar no granito. A videira alta – por enquanto sem folhas – fará sombra por cima de um espaço exterior: aberto. Beleza muito pura nas cores, matérias e proporções.

Avanço na direção de Ponte Maceira, onde atravesso o rio Tambre e me demoro a ver as fragas, o moinho, a ponte, os solares… Chego ao albergue de Negreira por volta das quatro horas.

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