Novas Viagens na Minha Terra – Série II Capítulo 173- por Manuela Degerine

Caminheiros de Santiago

Imagem3Sinto-me impaciente por descobrir com quem hei de conviver nos próximos dias. Comecei em Moas de Abaixo a alternar as ultrapassagens com um coreano que percorreu o Caminho Francês, tentei conversar mas era missão impossível, ele conhece meia dúzia de palavras em inglês, mais do que Angelika, porém eu nada percebo de coreano e, a propósito das coisas mais concretas, multiplicámos os mal-entendidos. Era previsível. Sem falarmos a mesma língua as conversas são possíveis… unicamente entre europeus. O coreano ostenta um ar macambúzio, algo entre o desafio e o desgraçado; não comunica decerto há mais de trinta dias.

Reparo mais uma vez na facilidade que estas terras e trilhos galegos me prodigam. Distraio o cansaço com os grafitos, os cartazes, as conversas, os topónimos… Tudo aqui faz sentido: nos muros as abóboras e nas hortas as couves galegas. (Os espanhóis de outras regiões como todos os restantes europeus – exceto os portugueses – ignoram para que servem estas esgrouviadas plantas.) Posso imaginar o antes, o depois e o porquê do que vejo. E se não percebo: pergunto. Prolongo as viagens na minha terra. Ver-me-ei na situação do coreano quando percorrer os mil e tantos quilómetros da peregrinação budista na ilha de Shikoku…

A partir de Rio Roxos encontrei igualmente um casal italiano. Era evidente que tentavam chegar ao albergue antes de mim, por isso me divirti a acelerar o passo, o que os estafou durante vários quilómetros até acabarem – vermelhos e transpirados – por desistir; concluo que o ambiente no Caminho Francês será bizarro. À chegada… Encontram o quarto do primeiro andar completo. Há – pelo menos – um albergue privado em Negreira e estes dois não merecem gentilezas, vejo-os todavia tão desesperados que revelo a existência de uma camarata no rés-do-chão. (A partir desta ajuda salvadora tornam-se muito amáveis comigo.)

Leave a Reply