Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 176 – por Manuela Degerine

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Inclinações verdes

Este espanhol, muito alto e louro, cujo pai era polaco, deve andar pelos sessenta anos e, com os cabelos compridos, o modo de vestir… Parece um hippy. Homem que vale por dois, traz a indispensável lanterna. (Não é a escuridão que nos impede de ver os sinais mas sobretudo o nevoeiro.)

As setas amarelas ficam por fim visíveis, o meu guia alarga o passo – para o dobro dos meus – enquanto prossigo na companhia de três raparigas. Dormiram num albergue privado, onde se esqueceram dos bordões e, por a porta não se abrir do exterior, procuram agora varas de eucalipto… (Começo perceber a utilidade destas árvores: remedeiam os viandantes e ajudam a secar os terrenos.) Sem o precioso equipamento não há caminhada porquanto as veredas são, mais do que ontem, mais do que nos dias, do que nas etapas precedentes: verdadeiros pantanais. O bordão impede-nos de escorregar, equilibra-nos na ponta do pé, avalia a firmeza dos terrenos, auxilia a escalada das paredes e a descida das ravinas.

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Trazemos o cabelo a pingar e até o ar que respiramos é líquido. Verifico se na pele surge a tonalidade verde, se nas cabeças em vez de cabelos crescem já algas… Esta humidade dificulta a caminhada mas sublima a paisagem, as pedras estão cobertas de musgo, os troncos estão cobertos de musgo, a harmonia deste verde com os ocres da terra e das folhas é na verdade muito bonita; e mais ainda quando vista através da bruma.

À saída do bosque há uma fonte e um banco… Deparamos com o espanhol. Descalço. Quase nu.

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