EDITORIAL – “Dura Praxis, Sed Praxis”

Imagem2A polémica sobre a praxe académica está instalada e a ocupar um espaço desproporcionado na comunicação social. A morte de seis estudantes, no decurso do que parece ter sido um acto praxístico, coloca o tema na ordem do dia. De uma forma descentrada – seis jovens foram mortos e o que se discute é, não o crime em si, mas as “razões” que ao crime conduziram. Um caso de polícia é discutido à luz de “tradições”. Que tradições tem a Universidade Lusófona? Estarão a aludir ao mais mediático caso de atribuição de créditos, o da licenciatura de Miguel Relvas?

Quando alguém que não tenha estudado em Coimbra, põe em causa a praxe, logo há saudosistas que dizem que quem não frequentou a «velha Academia» não compreende o verdadeiro espírito de Coimbra – argumento tão sólido como o dos defensores das touradas que remetem para o território nebuloso das tradições e de sentimentos iniciáticos, questões que afinal só têm a ver com atávicos impulsos cavernícolas.

Porém, enquanto os touros de morte em Portugal estão confinados a Barrancos, onde uma tradição que vem de 1928 (!) faz com que a cobardia das autoridades tolere uma prática intolerável, a imbecilidade da praxe académica, gerada há séculos em Coimbra, em contextos históricos, sociais e culturais diferentes, se estenda por universidades sem qualquer tradição e que avidamente querem equiparar-se a instituições seculares. E fazem-no pela abordagem mais fácil – a da boçalidade e a da prepotência de grupos de maníacos, cobardes, contra indivíduos isolados, fragilizados. Embora se ouça caloiros a defender a praxe, pois vislumbram já um futuro próximo em que poderão dar largas à sua agressividade. E esse silêncio dos inocentes é uma promessa de que a “tradição” irá perdurar.

E a discussão prossegue. Só não se percebe uma coisa – Um governo que não hesita em saquear pensionistas e trabalhadores, violando a Constituição, não remete a questão da praxe para o foro da criminalidade, mandando encerrar as universidades (e as “universidades”) onde tal prática persista. Seria uma medida justa e popular.

Sobre este tema, chamamos a vossa particular atenção para o excelente artigo que publicaremos às 21 horas – “Guerras e praxes” – por Pascal Paulus.

 

 

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