A praxe é um nojo – por Octopus

A praxe é um nojo,   toda ela, das suas formas mais violentas às aparentemente inofensivas. Os   esforços que alguns dirigentes estudantis, e infelizmente também alguns   reitores e presidentes de conselhos directivos, têm feito para distinguir as   praxes “boas” das praxes “más” são tão ridículos quanto   vagos e abstractos.

Nenhum arriscou dizer   expressamente o que é aceitável e o que não é. Sabe que assim evita o debate   e com sorte o tempo passa, o assunto sai da agenda mediática e tudo voltará à   barbárie do costume.

Toda a praxe assume e   aceita uma hierarquia sem justificação e que não cumpre qualquer função, é   feita em nome dos estudantes do primeiro ano porque promete a integração mas   apenas serve para satisfazer os instintos mais primários e animais dos   estudantes mais velhos.

Numa sociedade   saudável ninguém precisa de ser maltratado para se integrar ou de ser   submisso para ser aceite; fosse realmente a integração o objectivo dos   estudantes mais velhos e as actividades a realizar seriam a negação da   humilhação e da desigualdade entre alunos.

As praxes apelam ao   pior do ser humano, quando a recepção ao novo aluno, pela primeira vez longe   da sua terra natal e num ambiente desconhecido, exigiria as melhores   competências e qualidades sociais dos estudantes mais velhos. Temos todos –   estudantes, professores, pais, políticos e comunidade em geral – sido   demasiado tolerantes e complacentes com estas práticas.
Uma sociedade decente   não convive pacificamente com os espectáculos degradantes a que assistimos   dentro das universidades mas também no espaço público. Uma sociedade decente   combate activamente a humilhação, o exercício do poder pelo poder, a   hierarquia injustificada e a violência – seja ela física, seja verbal ou   psicológica.

Texto de Pedro Nuno   Santos

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